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12/06/2007 - 09h09

Barak retorna à política como favorito nas eleições trabalhistas de Israel

Jerusalém, 12 jun (EFE).- O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, que em 28 de maio conseguiu romper um boicote de seis anos por parte dos militantes trabalhistas, desponta como o favorito no segundo turno das eleições de hoje pela liderança do partido.

Após vencer o primeiro turno, as últimas pesquisas prevêem outra conquista, com 46% dos votos, contra os 39% que o rival, Ami Ayalon, obteria.

Com vitória ou derrota, este é o retorno de Barak, de 65 anos, à política, já que, em ambos os casos, os analistas apostam que dentro de alguns dias passará a fazer parte do Governo dirigido pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, líder do Kadima.

"A única pergunta é se será ou não como ministro da Defesa", afirmou hoje o analista político Hanan Crystal, referindo-se à pasta mais prestigiosa que os trabalhistas têm à disposição no Governo de Olmert e que passará diretamente às mãos do novo líder do partido.

O Ministério da Defesa é ocupado atualmente por Amir Peretz, eliminado no primeiro turno.

Barak abandonou a política ativa em janeiro de 2001, após a derrota para o então candidato do Likud, Ariel Sharon, e desde então fez várias tentativas para voltar.

O principal desafio nos últimos anos tinha sido conseguir o perdão dos militantes, dirigentes e assessores que ofendeu durante a gestão como primeiro-ministro, entre 1999 e 2001.

Segundo a imprensa local, "tem o recorde de ser o único primeiro-ministro israelense que perdeu todos os assessores" com os quais assumiu o poder.

Por isso, a vitória no primeiro turno serviu como prova de que tudo estava esquecido, mesmo que não consiga hoje superar Ayalon, com o qual não concorda sobre o que deve ser um acordo final de paz com os palestinos.

Barak foi o único chefe de Governo israelense que chegou a oferecer implicitamente aos palestinos a criação de um Estado independente na maior parte do território da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Ele também apresentou uma proposta de partilha para Jerusalém nas negociações de Camp David (Estados Unidos) de julho de 2000, dentro de uma oferta global que foi insuficiente para o então presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat.

A derrota eleitoral de Barak em janeiro de 2001 está relacionada com a explosão da intifada dois meses depois da cúpula, mas também com a estranha forma como resolvia os problemas políticos: sempre em fóruns pequenos, variáveis de acordo com a situação e, sobretudo, de forma fria e quase matemática.

Desde o começo, sua gestão como chefe do Governo israelense esteve caracterizada por uma série de modificações que causaram estragos em seu próprio partido, imerso em uma crise da qual não se recuperou até agora.

Em uma recente mensagem ao eleitorado, Barak, o militar mais condecorado da história israelense e ex-chefe do Exército, dava a entender que, desta vez, fará as coisas de outra maneira, levando em conta os órgãos partidários que entre 1999 e 2000 ajudou a desarticular.

Caso vença hoje, o primeiro teste do político será consultar o partido se deseja ou não ficar no Governo de Olmert, apesar de suas próprias reservas.

Barak se mostra propício a, por enquanto, manter a aliança política com o Kadima, mas insiste em que deverá tomar uma decisão após a divulgação do relatório final sobre o conflito no Líbano (contra o Hisbolá), o que deve ocorrer dentro de um ou dois meses.

O candidato considera que o Partido Trabalhista não deve temer uma saída do Governo, nem as eleições antecipadas.

"Só eu posso vencer Bibi", costuma repetir, em alusão ao líder direitista Benjamin Netanyahu, do Likud, que já foi derrotado por ele em 1999.

Um ano após a vitória, levou adiante a retirada de Israel do sul do Líbano, após 18 anos de ocupação, uma decisão que, após a guerra de 2006 com o Hisbolá, o convenceram de que não há lugar para novas retiradas unilaterais.

Barak também não acredita que Israel possa negociar um acordo de paz com os palestinos no momento, e por isso deve iniciar um período de espera até que se esclareça a situação.

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