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18/06/2007 - 16h40

"Chanceler" das Farc vai a Cuba negociar sem aval da cúpula da guerrilha

Bogotá, 18 jun (EFE).- O "chanceler" das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Granda, viajou hoje a Cuba sem a autorização dos chefes do grupo à missão que lhe foi dada pelo Governo colombiano para negociar a libertação de reféns em poder da organização guerrilheira.

O rebelde, que deixou a prisão no dia 4 de junho por decisão do presidente colombiano, Álvaro Uribe, foi levado ao aeroporto com um grande esquema de segurança e partiu para Havana em um vôo comercial, acompanhado pelo sacerdote Darío Echeverri, secretário da Comissão Nacional de Conciliação.

Granda garantiu até o último momento que não teve contato com a cúpula das Farc, maior grupo guerrilheiro do país, e que ainda espera um pronunciamento.

O "chanceler", que estava isolado na sede do Episcopado, declarou horas antes de partir que a viagem tinha motivos pessoais, descartando que sua presença em Havana tivesse relação com a missão de "gerente de paz" que lhe foi dada por Uribe.

O segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN), realiza em Cuba negociações de paz com representantes do Governo colombiano.

O sacerdote Echeverri disse esperar que a estadia de Granda em Havana lhe permita realizar contatos para a promoção da paz.

Granda "está otimista, está muito contente. Acredito que podemos pensar que seja possível construir espaços de reconciliação, de paz.

Isso é o que eu desejo e o que a Igreja espera", afirmou.

O guerrilheiro, que trabalhava nas gestões internacionais das Farc, foi detido em 2004 em Caracas por agentes colombianos, o que provocou um forte protesto diplomático da Venezuela, que acusou a Colômbia de "seqüestro".

Uribe, que também ordenou que fossem soltos outros 126 insurgentes, tomou esta medida esperando que as Farc libertassem 56 reféns, entre eles a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa.

O líder colombiano disse que Granda foi solto a pedido do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que considera prioridade a libertação de Betancourt, seqüestrada em fevereiro de 2002 na floresta do departamento (estado) de Caquetá, no sudoeste do país.

No entanto, as Farc rejeitaram as libertações e acusaram Uribe de fazer uma "cortina de fumaça" para ocultar o escândalo suscitado pelas ligações de dezenas de políticos com paramilitares de direita.

As Farc repetiram na semana passada que só falarão dos reféns se o Governo desmilitarizar os municípios de Pradera e Florida, localizados no departamento de Valle del Cauca, no sudoeste colombiano.

Segundo Granda, esta exigência deve-se ao fato de ambos os municípios serem estratégicos para que os rebeldes protejam se fracassarem as conversas e o Exército atacar as Farc.

"Eu vou a Cuba como qualquer cidadão colombiano. Fui libertado e posso voltar em qualquer momento ao país", declarou Granda.

O "chanceler" afirmou que viajaria para fazer um checkup. "A paz se procura nas montanhas ou em Florida ou em Pradera. No exterior, não falamos desses assuntos", disse.

"Eu não necessito pedir absolutamente nada nem à Espanha, nem à França, nem à Suíça", afirmou Granda quando perguntado sobre a missão dos três países europeus para obter um acordo entre o Governo colombiano e as Farc.

Rodrigo Granda Mosquera, cujo nome verdadeiro é Ricardo González, é natural do departamento de Antioquia e cerca de 50 anos.

Pertenceu ao Partido Comunista União Patriótica (UP), fundado pelas Farc em 1985 durante uma trégua feita pelo grupo guerrilheiro para negociar a paz com o então presidente Belisario Betancur.

Mas o processo fracassou e a UP foi praticamente exterminada em um plano conhecido como "baile vermelho", que deixou mais de 2.500 militantes mortos, inclusive quase todos os parlamentares que a UP elegera.

No sábado passado, o presidente Uribe reiterou que não haverá desmilitarização e pediu que as Forças Militares detenham os líderes das Farc, a que classificou de "bandidos" e "terroristas".

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