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23/06/2007 - 09h25

Paquistão: Seqüestro de nove chineses gera mais tensão ao regime de Musharraf

Amir Mir Lahore (Paquistão), 23 jun (EFE).- Os estudantes radicais da Mesquita Vermelha de Islamabad criaram um novo ambiente de tensão para o Governo do presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, com o seqüestro de nove cidadãos chineses acusados de atos contra o Islã por administrarem um bordel.

Os autores do seqüestro são estudantes da escola corânica da Mesquita Vermelha de Islamabad, conhecida pelo radicalismo e que já tinham causado problemas a Musharraf devido a seus atos extremistas, apelos populares à guerra santa e ameaças de ataques suicidas.

Os seqüestradores, homens e mulheres armados, invadiram na noite da sexta-feira um centro de massagens administrado pelos chineses e, após render três guardas de segurança paquistaneses, levaram pelo menos nove deles - incluindo várias mulheres - como reféns.

O superintendente da Polícia de Islamabad, Kamran Adil, afirmou que os estudantes levaram doze pessoas - entre eles os nove chineses -, mas não deu detalhes sobre as outras três.

A escola corânica Jamia Hafsa, adjacente ao edifício da Mesquita Vermelha, emitiu hoje um comunicado afirmando que os chineses não foram seqüestrados, mas transferidos à escola religiosa para serem repreendidos por realizar atividades "antiislâmicas" e "ilegais".

Segundo os estudantes, os cidadãos retidos são culpados de administrar um bordel em Islamabad, perto da histórica Mesquita Faisal.

O embaixador chinês no Paquistão, Luo Zhaohui, se reuniu hoje com o Ministro do Interior paquistanês, Aftab Khan Sherpao, que assegurou que o Governo tomará "todas as medidas possíveis" para garantir a pronta libertação dos cidadãos chineses, segundo a porta-voz de Exteriores paquistanesa, Tasneem Aslam.

A porta-voz também informou que foi criada uma comissão conjunta de urgência integrada por funcionários dos dois países envolvidos, a fim de trabalhar pela libertação dos capturados.

Em crises anteriores relacionadas aos fundamentalistas da Mesquita Vermelha, Musharraf optou pela negociação para não abrir uma nova frente no país, mas, segundo fontes das forças de segurança, desta vez há uma grande possibilidade de intervenção do Exército, em função da nacionalidade dos reféns.

China e Paquistão mantêm boas relações diplomáticas, que incluem exercícios militares conjuntos ocasionais e negociações para um acordo de livre-comércio.

Esta é a primeira vez que os estudantes radicais de Jamia Hafsa seqüestram estrangeiros, depois de, em março, terem mantido como reféns a dona de um bordel e vários policiais durante dias, todos eles libertados após gestões do Governo.

A nova crise da Mesquita Vermelha faz parte de uma série de problemas para Musharraf, que enfrenta também um movimento de contestação sem precedentes depois da suspensão, em março, do presidente do Supremo Tribunal, Iftikhar Chaudhry.

O juiz, conhecido por ter levado alguns casos contra os interesses do Governo, foi afastado do cargo por ordem de Musharraf por acusações de abuso de poder, mas os defensores de Chaudhry consideraram o argumento uma mera desculpa para se desfazer de um "problema".

Desde a suspensão de Chaudhry, houve incessantes manifestações contra o Governo, com a presença da comunidade judicial, ativistas e membros de toda a oposição política.

O juiz levou o caso à Suprema Corte, que está estudando se sua destituição é de acordo com a Constituição.

Caso o máximo tribunal decrete que foi inconstitucional, o magistrado deverá ser instaurado novamente no cargo, o que representaria uma derrota sem precedentes para o regime de Musharraf.

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