UOL Notícias Notícias
 

04/07/2007 - 11h17

Líderes debatem formas para criação de Governo africano sem fixar prazos

Isabel Coello Acra, 4 jul (EFE).- Os chefes de Estado da União Africana (UA) decidiram na cúpula de Gana estudar formas para a criação de um Governo africano, mas sem fixar prazos, uma solução para contentar tanto os que desejam acelerar a integração política como os que preferem que esta seja progressiva.

O chamado "enfoque gradual", proposto por África do Sul, Nigéria e Etiópia, e que foi majoritário no debate de três dias dedicado ao assunto, acabou sendo incluído na declaração final do encontro, encerrado na madrugada de hoje.

Esta reforça a convicção da necessidade de um Governo da UA, mas não estabelece um calendário para sua criação, apenas passos a serem dados nesse caminho.

Os chefes de Estado aprovaram por unanimidade a criação de um comitê de ministros que deve analisar o conteúdo e as várias atribuições de um Governo supranacional, suas áreas de competência, o impacto sobre as soberanias nacionais e seu modo de financiamento.

O comitê de ministros deverá propor ainda uma série de prazos para a criação do Governo africano, e seu relatório deverá ser analisado na próxima cúpula da UA, a princípio programada para janeiro.

Os líderes decidiram ainda promover os mercados comuns já existentes ou em vias de criação em vários blocos econômicos africanos e fortalecer os órgãos da UA, especialmente a Comissão, encarregada de executar os programas da organização.

O órgão passará por uma auditoria para que se descubra como seu funcionamento pode melhorar.

O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, classificou os resultados de excelentes e se disse muito contente, enquanto os principais defensores da criação do Governo continental, o presidente líbio, Muammar Kadafi, e o senegalês, Abdoulaye Wade, estiveram ausentes na leitura do comunicado final.

Como bom anfitrião, o presidente rotativo da UA, o ganês John Kufuor, destacou no encerramento do encontro as áreas de convergência entre os presentes, e não as diferenças.

"Saímos com a visão comum de realizar um Governo da UA, e, quanto a isso, não há diferenças", afirmou Kufuor, que acrescentou que as discussões se caracterizaram "pelo respeito mútuo e a tolerância", e não se pode falar de "vencedores nem perdedores".

Observadores como o diretor do Centro para a Democracia e o Desenvolvimento de Gana, Eric Boateng, consideram que o debate sobre a integração política era necessário.

"Foi um exercício útil, e é saudável que os líderes exponham publicamente suas divergências, é melhor assim do que se todos assinarem algo e depois cada um fazer o que quiser", disse Boateng à Efe.

Mas o observador se mostrou decepcionado com a falta de clareza no conteúdo das discussões.

"Há muitos temas nebulosos, tratados superficialmente. Há que se definir se eles querem um Governo comum com poderes executivos e em que áreas", disse o analista, que considerou "pouco realista" tentar utilizar o modelo americano para os "Estados Unidos da África".

"Somos nações soberanas, e devemos nos unir, mas mantendo nossa soberania. Dada a diversidade da África, para mim soa ridículo pretender ter apenas um presidente", acrescentou Boateng, que concluiu que "ninguém discute a necessidade de integração, mas, se quisermos construir algo duradouro, levará tempo".

Com 53 membros, a UA nasceu em 2002 para impulsionar uma união econômica e política a longo prazo e romper com o passado de sua antecessora, a Organização para a Unidade Africana, criada em 1963 em pleno período independentista, mas acusada com o tempo de ignorar as guerras violentas e sustentar os ditadores africanos.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,71
    3,168
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,12
    68.634,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host