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11/07/2007 - 16h18

Exército paquistanês leva corpo de Ghazi para aldeia natal

Amir Mir Lahore (Paquistão), 11 jul (EFE).- Com a operação contra a Mesquita Vermelha "quase concluída", membros do Exército do Paquistão carregaram hoje, em helicóptero, o corpo do sacerdote Rasheed Ghazi, para enterrá-lo em seu povoado natal.

No mesmo aparelho também viajou o irmão dele e chefe supremo do templo, Abdul Aziz, agora preso.

Apesar de as irmãs deles terem recorrido ao Tribunal Supremo (TS) para que fosse cumprida a última vontade de Ghazi - ser enterrado em Islamabad -, os soldados levaram o corpo para a aldeia de Rojhan Abdullah, no centro do Paquistão.

Os preparativos para o enterro tiveram início imediatamente, embora o TS tenha pedido tempo para que as irmãs pudessem chegar ao local e que, se a família insiste, o corpo deveria ser sepultado em Islamabad.

Ghazi morreu, como o pai, no dentro da mesquita, e pediu para ser enterrado ao lado do prédio, no recinto da escola corânica Jamia Faridia, que pertence à mesma instituição. No entanto, o Governo quer evitar que o lugar seja transformado em um centro de peregrinação.

Uma fonte citada pela rede "Geo TV" negou que existam restrições para o comparecimento ao funeral de Ghazi, no qual esteve presente um "grande número" de moradores de distritos próximos.

Também foram realizados hoje os funerais de nove soldados mortos na Operação Silêncio contra os radicais entrincheirados na Mesquita Vermelha.

O presidente Pervez Musharraf participou das cerimônias, segundo a agência estatal "APP". Mais tarde, o presidente e comandante do Exército visitou os feridos, em um hospital militar.

A operação contra a mesquita foi realizada pelo grupo de serviços especiais do Exército, o mesmo corpo de elite ao qual pertence Musharraf.

Enquanto isso, o porta-voz do Exército, Waheed Arshad, anunciou que a operação está "quase concluída", restando a fase de "limpeza" do recinto e suas instalações.

"Pode levar algum tempo para limpar a área, devido à caótica estrutura do edifício, de vários andares", disse, em alusão à madraçal feminina vizinha à mesquita, onde ocorreu a maior parte dos confrontos na terça-feira.

A versão oficial, ao meio-dia, era que apenas dois radicais armados ainda resistiam dentro da mesquita e haviam ferido um soldado. Porém, à noite, foi anunciado que um radical tinha sido capturado ferido em um porão.

Além disso, as forças paquistanesas começaram hoje a retirar explosivos do local.

Cerca de 70 radicais morreram no ataque à mesquita. Na ação, 33 soldados e 26 mulheres ficaram feridas, segundo Arshad, que afirmou, pela primeira vez, que há vítimas entre as mulheres do complexo.

O porta-voz disse que é impossível apresentar um número de baixas entre os estudantes das madraçais da Mesquita Vermelha, enquanto a operação estiver em andamento e até que todos os cadáveres tenham sido retirados.

Segundo Arshad, o corpo da mãe de Aziz e Rasheed - que teria sido morta no início do ataque de terça-feira - não foi identificado.

Antes da operação, o Governo sustentava que entre 300 e 500 mulheres e crianças eram reféns de radicais no templo, mas até agora só houve informações sobre 38 menores e cerca de 50 mulheres "liberadas". A maioria delas está presa.

Uma fonte dos serviços de inteligência afirmou à agencia Efe que o número de mortes é superior a 200, e que cerca de 125 das vítimas podem ser estudantes.

O acesso ao local voltou a ser proibido à imprensa hoje, tanto ao recinto religioso como aos hospitais. Enquanto isso, há informações de que os corpos retirados da mesquita estão sendo levados para armazéns e não necrotérios.

O primeiro-ministro, Shaukat Aziz, advertiu que o Governo não tolerará mais o uso de seminários islâmicos para a promoção de idéias extremistas, mas continuará apoiando o ensino religioso.

Aziz afirmou que a lei será aplicada se o Executivo descobrir outro centro religioso envolvido com atividades como as da Mesquita Vermelha de Islamabad.

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