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15/07/2007 - 04h51

Taiwan comemora, dividida, os 20 anos de sua democracia

Taipé, 15 jul (EFE).- Taiwan comemora hoje, politicamente dividida, o 20º aniversário do fim da Lei Marcial que iniciou um bem-sucedido processo de democratização na ilha.

O presidente taiuanês, Chen Shui-bian, partidário da separação definitiva da China, manifestou que o fim da lei marcial foi a conseqüência da luta do povo taiuanês e de seu Partido Democrata Progressista (PDP).

"Não foi a benevolência do presidente Chiang Ching-kuo, filho de (o ex-líder militar) Chiang Kai-shek, que levou ao fim da lei marcial e à democratização", disse Chen, que estigmatizou os anos de Governo autoritário do Partido nacionalista chinês Kuomintang (KMT), desde sua chegada a Taiwan em 1949 até 2000.

No outro pólo político, o candidato presidencial do KMT, Ma Ying-jeou, criticou a ineficácia dos Governos do PDP de 2000 até o momento, por sua contínua retórica independentista e a distração dos temas relevantes para o bem-estar popular.

Ma aproveitou a ocasião deste 20º aniversário para lançar sua proposta de "segunda reforma democrática", para cimentar e melhorar a democracia na ilha, em discurso na aldeia de Janai, distrito de Nantou, no centro de Taiwan.

O candidato opositor defende a "normalização democrática da sociedade taiuanesa" por meio da implementação da constituição, enquanto o PDP quer transformar Taiwan em "um país normal", com imediatas mudanças constitucionais e o abandono do nome oficial de "República da China" pelo de "República de Taiwan".

Ma não descarta as reformas constitucionais, mas prefere iniciá-las dentro de dois anos e dar prioridade nesse período a fortalecer a economia, deixando de lado o tema dos laços com a China.

A Lei Marcial chegou ao seu fim em Taiwan no dia 15 de julho de 1987, pouco depois da formação do PDP e da repressão violenta de uma manifestação independentista em Kaohsiung, conhecida pelo incidente de Formosa, do qual participaram os principais políticos do PDP.

Alguns deles foram protagonistas do protesto, como a atual vice-presidente, Annette Lu, e outros advogados defensores, como o presidente Chen Shui-bian e o candidato governista à Presidência, Frank Hsieh.

A morte do presidente taiuanês Chiang Ching-kuo em 1988 levou a Presidência da ilha ao primeiro-ministro taiuanês, Lee Teng-hui, que impulsionou o desmantelamento do regime autoritário, conquistando a eleição popular direta de todos os parlamentares em 1991 e do presidente em 2006.

A chegada à Presidência do opositor e independentista Chen Shui-bian, em 2000, representou o fim de mais de 55 anos de controle político do KMT, que tomou a administração da ilha em 1945, após a retirada do Japão, e se refugiou em Taiwan em 1949 após sua derrota na China para os comunistas.

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