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10/08/2007 - 10h25

Egípcio processa Estado para conseguir reconhecimento de mudança religiosa

Cairo, 10 ago (EFE).- Mohammed Higazi, um cristão convertido, é o protagonista da última polêmica no Egito sobre o espinhoso assunto das mudanças de religião, ao ser o primeiro a pretender processar o Estado para que reconheça sua nova fé oficialmente.

No entanto, o histórico processo judicial não durou mais que quatro dias, já que tanto a pressão social como a do Estado obrigaram Higazi a desistir de seu processo.

A razão oficial que fez o advogado de Higazi, Mamduh Najla, retirar a denúncia foi " proteger a união nacional e evitar envergonhar os irmãos muçulmanos", embora ele mesmo tenha reconhecido à Efe que na realidade acabou cedendo à pressão de um país majoritariamente muçulmano.

"Caso insistisse em continuar o processo, o matariam, e com permissão do Estado", disse à agência Efe Emad Gad, analista do centro de estudos estratégicos Al-Ahram.

Segundo Gad, o erro de Higazi, de 25 anos, foi pedir que sua mudança de religião, do islã para o cristianismo, constasse em sua documentação, "algo que nunca aconteceria no Egito, país que não respeita a liberdade de credo".

Caso Higazi insista em continuar como cristão converso, a única alternativa para que continue vivo é sair do país, acrescentou Gad.

A história de Higazi - que agora quer se identificar com o nome copta de Bishoy e não com o de Mohammed, que vem do profeta Maomé - despertou novamente a discussão sobre o tabu das conversões religiosas, sobretudo se são do islã para o cristianismo.

Os obstáculos apresentados pelo Ministério do Interior do Egito nos trâmites administrativos necessários para que um cristão converso declare oficialmente sua nova fé fazem com que a maior parte prefira permanecer com documentos de muçulmanos.

No entanto, se um copta se converte ao islã, "em cerca de 15 minutos terá a nova documentação na qual é dito que é muçulmano.

Será muito bem-vindo pelo Estado", declarou Gad.

Higazi mudou de religião por vontade própria e mesmo assim sua família acusou Najla, também ativista copta, de o pressionar e pagar a ele para que se tornasse cristão, afirma o advogado.

A ousadia de Higazi de pedir oficialmente sua mudança de religião levou setores muçulmanos a denunciarem a existência de "células de evangelização" por trás desta história.

"O caso de Higazi mostra sinais de um conflito confessional e não tem relação alguma com a liberdade de religião, mas com um movimento de apostasia", declarou Abdel Moti Bayumi, analista em estudos islâmicos da instituição Al-Azhar, a de maior prestígio do islã sunita.

Bayumi, que já descreve Higazi como "o apóstata", está convencido de que ele recebeu dinheiro ou foi alvo de pressões de "células de evangelização" para que abandone o islã, uma decisão que significa que "irá para o inferno".

De fato, segundo Bayumi, entrar no islã "não é tão fácil como se pensa", já que qualquer interessado em adotar esta crença tem que passar primeiro por Al-Azhar para fazer um exame de religião "muito difícil".

"Al-Azhar não oferece dinheiro nem faz promessas a nenhum copta que se converte", disse Bayumi, defendendo sua instituição das acusações de liderar um movimento de islamização no país, tal como pensa o analista Gad.

Seja por própria vontade, tal como afirma seu advogado, ou por pressões recebidas, Higazi já é um símbolo por desafiar o Estado.

E embora a polêmica ainda continue, Gad prevê que Higazi será obrigado pelo Estado a renunciar de sua iniciativa e a dizer que foi pressionado por células de evangelização para se tornar um cristão.

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