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15/08/2007 - 12h47

Governo da Libéria ordena evacuação de campos de refugiados

Elise A. Zoker Monróvia, 15 ago (EFE).- Os milhares de liberianos que ainda se encontram em campos de refugiados, após o término da guerra civil, em 2003, receberam ordem nesta quarta-feira para desocupar esses locais, tendo agora de lidar com um futuro incerto.

A ordem de despejo foi anunciada nesta quarta-feira em entrevista coletiva pela Comissão Liberiana para Repatriação e Assentamento dos Refugiados (LRRC, na sigla em inglês), e não foi bem recebida entre os mais de dez mil refugiados que seguem alojados nos campos.

Durante a guerra civil que se prolongou quase que sem interrupções de 1989 a 2003, por causa da rebelião lançada pelo ex-presidente Charles Taylor, que enfrenta agora processo em Haia (Holanda) em um tribunal especial apoiado pela ONU, morreram mais de 150 mil liberianos.

Calcula-se que a maioria dos três milhões de habitantes da Libéria tiveram em algum momento de se deslocar de seus locais de origem, muitos deles para nações vizinhas, e que no final da guerra ficaram em campos de refugiados mais de 300 mil pessoas.

De novembro de 2004 até abril de 2006, quando os campos foram fechados oficialmente, mais de 326 mil liberianos retornaram a seus lares, na maior operação do tipo na África Ocidental.

Mas, segundo disseram nesta quarta autoridades liberianas, ainda restam cerca de dez mil pessoas abrigadas nos campos -cujo fechamento foi determinado em 2006-, e que são chamados pela LRRC de "moradores", embora não possuam "status" de refugiados internos.

O diretor-executivo da LRRRC, Saah Nyumah, informou nesta quarta que, como os campos foram fechados oficialmente em abril de 2006, o processo de retorno foi dado por concluído em 20 de julho do ano passado.

As autoridades de Monróvia, acrescentou Nyumah, querem convencer os que ainda restam a voltar a seus locais de origem, e mostraram interesse em promover reuniões com líderes comunitários para buscar uma solução para o problema.

Segundo o diretor-executivo, a maioria dos 35 campos que chegaram a ser abertos foi transformada em áreas de cultivo agrícola e em comunidades urbanas ou suburbanas.

Os que ainda estão nesses locais querem ficar, e, em muitos casos, fizeram "enormes exigências" para voltarem a seus locais de origem, segundo Nyumah, que acrescenta que o Governo da Libéria não está em condições de atender aos refugiados devido a limitações de ordem financeira.

Houve também muitas queixas dando conta de que delinqüentes estariam utilizando os campos para escapar da Polícia, após cometer crimes.

Os desabrigados se mostram reticentes a voltar para casa por razões de segurança, já que dizem que as garantias em seus locais de origem não são suficientes -só querem voltar assim que terminarem a instabilidade e a incerteza.

Também se queixam que não têm para onde ir ou mesmo dinheiro para assentar-se novamente em suas regiões de origem.

É o caso de Ibrahim Swaray, de 22 anos, que chegou a um campo de refugiados em 1992. "Eu tinha sete anos quando meus pais me trouxeram para cá, e ambos morreram aqui. Ficamos apenas eu e minhas duas irmãs, que nasceram aqui", diz à agência Efe.

Swaray diz ainda que, após tantos anos, nem sequer sabe o caminho de volta para casa, que acredita ficar a 20 quilômetros da capital.

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