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02/09/2007 - 03h33

Nomeação de presidente do Parlamento gera crise entre Panamá e EUA

Alejandro Varela Panamá, 2 set (EFE).- A escolha de Pedro Miguel González como presidente do Parlamento do Panamá, acusado de assassinato pelos Estados Unidos, abriu uma brecha nas relações entre os dois países e desencadeou uma crise política interna.

Essas afirmações foram feitas hoje tanto por fontes da legenda no Governo panamenho, o Partido Revolucionário Democrático (PRD), como da oposição e por diversos analistas políticos consultados pela Efe.

O Governo dos EUA afirmou ontem estar "profundamente decepcionado", mediante um comunicado emitido por seu Departamento de Estado, horas depois de González, um destacado dirigente do PRD, ser eleito presidente do Parlamento.

"González, entre outros, foi acusado nos EUA de assassinato em primeiro grau, conspiração para assassinar e tentativa de assassinato" pela morte do sargento Zack Hernández, e "tentativa de assassinar" o sargento Ronald T. Marshall, ambos do Exército americano, em uma emboscada na localidade panamenha de Chilibre, no dia 10 de junho de 1992, diz o Departamento de Estado.

"Os Estados Unidos querem ver esses responsáveis responderem à Justiça" por esses fatos, conclui a breve nota do Departamento de Estado americano distribuída aos meios de comunicação do Panamá por sua embaixada no país.

O governante panamenho, Martín Torrijos, "tentou até o último momento impedir que González fosse eleito", mas "parece ter perdido o controle" de seu partido no Parlamento, asseguraram à Efe fontes ligadas a seu escritório.

"Inclusive pediu pessoalmente a González que retirasse sua candidatura em uma conversa na qual este rejeitou veementemente a proposta", acrescentaram as fontes.

No entanto, outras fontes do PRD consideraram que "foi o próprio Torrijos que inicialmente se comprometeu com González a promover, quando este o pediu, sua candidatura" à Presidência da Assembléia Nacional.

Estas mesmas fontes, que também não quiseram ser identificadas, admitiram a possibilidade de que posteriormente Torrijos tivesse cedido a "pressões da embaixada dos Estados Unidos e voltado atrás em seu apoio".

"Isso é habitual em Torrijos, quem nunca diz que sim nem que não quando lhe propõem algo, e depois tenta conseguir o que ele realmente quer com o apoio de terceiros", disseram em tom de crítica.

"O certo é que agora há uma crise interna no PRD e nas relações com os Estados Unidos", agregaram.

Os líderes da oposição, em declarações à imprensa local, criticaram unanimemente a escolha de González, que aconteceu graças à maioria parlamentar do PRD.

"Esta é uma crise grave", mas também "estúpida e desnecessária", disse à agência Efe o catedrático de Direito Internacional Miguel Antonio Bernal, ao considerar que "não havia nenhuma necessidade" de González ser presidente da Assembléia, com total conhecimento do problema que seria criado.

González fugiu do Panamá após ser acusado de participar, em janeiro de 1992, de uma emboscada contra um veículo das tropas militares presentes no Panamá.

Na ocasião o sargento Hernánez morreu e o sargento Marshall ficou ferido.

Seu pai, Gerardo González, era naquele momento presidente do PRD e anos mais tarde chegou a presidir o Parlamento ou Assembléia Nacional.

A emboscada aconteceu dois anos após os Estados Unidos invadirem Panamá para capturar seu então ditador, com respaldado do PRD, o general Manuel Antonio Noriega, e às vésperas de uma visita do presidente então americano, George Bush.

Três anos mais tarde, em 1995, González se entregou, no Palácio Nacional, sede da Presidência da República, acompanhado por seu pai, quando este já presidia o Parlamento, ao então governante panamenho, Ernesto Pérez Valados, que tinha levado o PRD novamente ao poder após vencer as eleições de 1994.

Em 1997, um júri de consciência o declarou inocente, num julgamento que os Estados Unidos não reconheceram, por considerá-lo manipulado.

Em seu discurso como novo presidente da Assembléia Nacional e antes de o Departamento de Estado americano emitir seu comunicado, González lamentou que os EUA desconheçam a de uma corte que em 1997 o absolveu.

"Fui a julgamento e fui absolvido por unanimidade por um júri de consciência no dia 1º de novembro de 1997, mas os Estados Unidos de maneira arbitrária e injusta, quase 10 anos depois, desconhecem o resultado desse processo", acrescentou.

O novo presidente do Parlamento disse que, após a invasão dos EUA, seu país se esforçou "para construir uma relação de respeito mútuo entre as duas nações que não deve ser prejudicada por uma injustiça".

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