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08/09/2007 - 20h14

Nacionalistas surpreendem e vencem eleições legislativas no Marrocos

Rabat, 8 set (EFE).- O partido nacionalista Istiqlal, com 63 anos de história, teve uma marcante vitória nas eleições legislativas realizadas nesta sexta-feira no Marrocos sobre os muçulmanos moderados do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), considerados até então favoritos, em um pleito marcado por baixa participação popular (37%).

Os dados oficiais, ainda parciais, do segundo pleito legislativo realizado sob o reinado de Muhammad VI, foram surpreendentes, e anunciaram o histórico partido nacionalista marroquino como vencedor, conquistando cinco cadeiras a mais que o AKP.

O partido Istiqlal, cujo secretário-geral é Abbas El Fassi, fez parte da coalizão de cinco partidos que governou o Marrocos durante os últimos cinco anos tendo à frente o primeiro-ministro Dris Jettou. Nestas eleições, o Istiqlal conseguiu sete cadeiras a mais que em 2002.

O AKP, tido como favorito nas poucas pesquisas publicadas antes das eleições, ganhou 47 cadeiras segundo os resultados parciais, muito longe das quase 70 que seus líderes acreditavam que ganhariam.

Os muçulmanos moderados liderados por Saad Edine El Othmani conseguiram apenas cinco cadeiras a mais que em 2002. Na época, eram a terceira maior força política do país, mesmo não fazendo parte do Governo.

Othmani declarou à Agência Efe antes do pleito que seu partido é "um partido político e não religioso", que não quer a ruptura, e assegurou que não criaria problemas para o desenvolvimento da importante indústria do turismo no país.

Além disso, afirmou que qualquer reforma institucional no Marrocos deve ser feita de acordo com o monarca, porque "nossa estratégia é trabalhar para a mudança e para as reformas dentro das instituições legais".

A vitória do Istiqlal foi anunciada à imprensa pelo ministro do Interior, Chakib Benmusa, que revelou que o índice de participação nas eleições da sexta-feira foi de apenas 37%, entre os 15,5 milhões de eleitores inscritos.

Atrás do Istiqlal e do AKP ficou o partido rural e berbere Movimento Popular, com 43 cadeiras, seguido do Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), que obteve 38 vagas, e da União Socialista de Forças Populares (USFP), com 36 postos no Congresso.

Os socialistas da USFP igualaram os resultados obtidos no pleito de cinco anos atrás.

Os dados oficiais indicam que, como a Efe já tinha antecipado com fontes dos cinco partidos que formam a coalizão governamental, eles têm juntos 186 cadeiras, o que teoricamente facilitaria a formação do novo Governo.

O primeiro-ministro do Marrocos é nomeado pelo rei, que em 2002 elegeu o tecnocrata sem partido Dris Jettou para o cargo.

Os três partidos que formam a denominada "kutla democratía" (bloco democrático) - Istiqlal, USFP e PPS - conseguiram juntos um total de 102 cadeiras no pleito de sexta.

Antes do anúncio oficial dos resultados, o AKP denunciou em entrevista coletiva em Rabat (capital marroquina) a "corrupção" e a "desorganização" do pleito, e garantiu que considera isso um atentado contra o desejo de mudanças rumo a um processo democrático no país.

"Infelizmente, houve muitos casos nos quais dinheiro foi usado, alguns de forma muito sutil, que não foram detectados pelas autoridades. A questão é saber se não foi possível fazer nada contra isso ou se não quiseram fazer nada", afirmou à imprensa o AKP.

O número dois desse partido político, Lahcen Daoudi, afirmou também que os principais responsáveis pela fraude foram os próprios partidos políticos.

Daoudi disse que nas atuais eleições havia dois bandos: o do AKP e o dos "mentirosos", e que "os mentirosos ganharam as cadeiras".

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