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27/09/2007 - 19h53

Diretor da "TV Cultura" diz que "BBC" é o padrão a ser seguido

México, 27 set (EFE).- Os meios de comunicação públicos latino-americanos precisam de "20 ou 30 anos" para chegar ao nível de seus equivalentes nos Estados Unidos e no Reino Unido, afirmou hoje o diretor-presidente da "TV Cultura", Paulo Markun, que pôs o canal britânico "BBC" como o modelo a ser seguido.

Em declarações à agência Efe depois de participar do 3º Congresso Internacional de Regulamentação e Futuro Digital dos Meios de Comunicação Públicos, Markun se mostrou otimista ao considerar que "existe agora uma possibilidade de mudança muito grande com a digitalização e a convergência de mídias".

Como exemplo, explicou que existem no Brasil 100 milhões de telefones celulares que podem receber vídeos, motivo pelo qual sugeriu que os meios de comunicação públicos latino-americanos façam como os americanos e se transformem em "provedores de conteúdos", em vez de limitar-se à televisão.

"A 'TV Cultura' é a rede de quinta maior audiência em São Paulo, mas podemos ser os primeiros na internet se criarmos um espaço para levar informação para as crianças, a cidadania, a educação e o debate público. Isso pode ser feito sem muito esforço", sustentou.

Markun disse que, embora atualmente "a televisão esteja presente em toda parte, isto mudará rapidamente", declarando que no Brasil 20 milhões de pessoas já têm acesso à banda larga, um número que cresce "a cada dia".

Para que a imprensa pública possa concorrer em igualdade de condições com a privada, Markun propôs que sejam feitos mais documentários, coproduções, séries de televisão e programas musicais conjuntos na América Latina.

Em seu discurso no congresso, Markun relatou a influência da censura na história da "TV Cultura". Entretanto, esclareceu à Efe que hoje ela não existe diretamente, mas "como um controle indireto por parte do Governo e da oposição".

Explicou que muitos políticos ainda "proíbem" que certos temas sejam abordados, mas que na prática isso "não é censura efetiva".

O diretor de Assuntos Corporativos da "BBC" de Londres, John Dickie, sentiu-se feliz por não haver sofrido censura como muitos meios de comunicação latino-americanos e destacou que seu canal não tem espaços para publicidade nem tem patrocínios.

Por isso, explicou Dickie, a "BBC" é financiada através de um fideicomisso do Governo, de uma taxa cobrada a todos os habitantes do país que têm televisão e pela venda de seus conteúdos a outros canais.

O fideicomisso é um contrato de confiança entre dois agentes em que um deles cede ao outro a propriedade dos seus bens para que os administre em benefício de um terceiro.

O diretor do canal público americano "WGBH International", Tom Koch, lamentou que a venda dos conteúdos da "BBC" aconteça com mais freqüência para os canais comerciais do que para os públicos, e explicou que eles já se transformaram em provedores de conteúdos.

Apesar de a audiência ter muita importância, Koch disse que para muitos diretores dos meios de comunicação públicos dos EUA a aprovação e o apoio de seus companheiros de profissão são mais importantes.

Assegurou que em seu país todos os veículos públicos de imprensa são independentes, e brincou ao dizer que o único canal que segue ordens diretas da Casa Branca é a "Fox News".

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