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18/10/2007 - 14h06

Putin aposta no rearmamento frente aos EUA e pede data de retirada do Iraque

Moscou, 18 out (EFE) - O presidente russo, Vladimir Putin, delineou hoje as diretrizes do legado que deixará ao seu sucessor a partir de 2008: rearmamento estratégico e contrapeso aos Estados Unidos no mundo.

Ele também insistiu na necessidade de estabelecer uma data para a retirada das tropas estrangeiras do Iraque.

"A Rússia tem forças e recursos suficientes para defender seus próprios interesses, também em outras regiões do mundo, e fará isto", disse Putin em sua conversa anual com os cidadãos, transmitida por rádio e televisão.

Putin, que deixará a chefia do Kremlin após as eleições de março de 2008, aproveitou a ocasião para lembrar ao mundo que a Rússia é uma potência militar e energética.

"O que estamos fazendo para reforçar a capacidade de defesa da Rússia é certo e continuaremos fazendo isto. Nossos planos não são grandes, mas grandiosos e absolutamente realistas", ressaltou.

Após indicar que as Forças Armadas russas estão adquirindo novos equipamentos para "garantir a segurança do país por muitos anos", o chefe de Estado russo afirmou que o país deu início a um programa estadual de fabricação de novos armamentos até 2015.

"Não só prestamos atenção à tríade estratégica, formada pelas Forças Nucleares Estratégicas (FNE), pela aviação estratégica e pela frota de submarinos nucleares, mas também a outros tipos de armamentos", ressaltou.

Putin afirmou que isto inclui colocar em serviço os modernos mísseis balísticos intercontinentais teleguiados Topol-M, dotados de várias ogivas nucleares e capazes de burlar os mais sofisticados sistemas antimísseis.

"Advertimos a todos os nossos parceiros que, se forem tomadas decisões sem levar em conta os interesses de segurança da Rússia, adotaremos medidas de resposta", disse, em relação aos planos americanos de instalar componentes do sistema de Defesa Nacional contra Mísseis americano no Leste Europeu.

Caso as atuais conversas com Washington não dêem resultados, a Rússia se retirará definitivamente no dia 12 de dezembro do tratado de Forças Convencionais na Europa (FCE), pedra angular da segurança no continente.

Em política externa, Putin insistiu na necessidade de estabelecer uma data para a retirada das tropas estrangeiras do Iraque. "É inadmissível perpetuar o regime de ocupação".

"O que (os Estados Unidos) conseguiram com a invasão do Iraque? Aprenderam a dar tiros, mas o que não conseguiram foi impor a ordem", criticou.

"Pode-se derrubar um regime autoritário, como o de (Saddam) Hussein", mas o que não se pode fazer é "vencer um povo", já que "a guerra contra um povo é impossível" "A Rússia, graças a Deus, não é o Iraque. (O país) Tem forças e recursos suficientes para se defender e seus interesses em seu próprio território e, certamente, também em outras regiões do mundo", afirmou.

Ele defendeu ainda o diálogo com o Irã e falou sobre as tentativas de boicote a sua primeira visita a Teerã, onde na terça-feira o chefe do Kremlin se reuniu com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"O diálogo direto é um caminho mais curto para o sucesso que a política de ameaças, sanções e, sobretudo, pressões", ressaltou.

Putin afirmou que "Irã e Rússia sempre foram vizinhos" e que, atualmente, os dois países são "parceiros muito importantes" em matéria de "petróleo, gás e energia nuclear".

O presidente russo disse que as informações sobre os supostos planos de atentados contra sua vida em Teerã "não são outra coisa além de uma tentativa de abortar a visita".

Ele afirmou que não há provas que confirmem que o Irã esteja fabricando armas nucleares, razão pela qual a Rússia vetou no Conselho de Segurança da ONU toda iniciativa para aprovar uma resolução que inclua o uso da força contra o Irã.

A visita de Putin ao Irã foi a primeira de um governante russo ou soviético desde que Joseph Stalin participou, em 1943, da Conferência de Teerã, junto com os líderes dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e do Reino Unido, Winston Churchill.

O chefe de Estado russo acrescentou que deixará o Kremlin depois das eleições presidenciais de março de 2008, pois a Constituição vigente impede mais de dois mandatos consecutivos.

Paralelamente, reiterou que liderará as listas do partido governista Rússia Unida no pleito legislativo de 2 de dezembro a fim de garantir que o Governo e a Duma continuem a mesma política nos próximos anos, conhecida como o "Plano Putin".

"Imaginem se chegarem ao poder pessoas que não compartilham destas decisões. É muito fácil reorientar esta política, repartir tudo entre todos, reduzir as reservas de ouro e divisas", disse.

Putin, no entanto, não esclareceu se pretende se transformar no novo primeiro-ministro para exercer o poder na sombra, ao estilo de Den Xiaoping na China.

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