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19/10/2007 - 10h50

Chefe da operação nega ter dado ordem para atirar em Jean Charles

Londres, 19 out (EFE).- A subcomissária da Scotland Yard Cressida Dick, a cargo da operação na qual o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto a tiros ao ser confundido com um terrorista, negou hoje que deu ordem para atirar no jovem.

Jean Charles foi atingido por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres, ao ser confundido com Hussain Osman, um dos terroristas que cometeram os atentados fracassados da véspera.

"Minha previsão era que os agentes armados interceptariam a pessoa que eu achava que era Nettletip (apelido de Osman)", disse Dick, que prestou depoimento hoje no julgamento que ocorre no tribunal penal de Old Bailey contra a Scotland Yard devido à morte do brasileiro.

A oficial - que após a operação, conhecida como "Kratos", foi promovida de comandante a subcomissária - disse que achava que seria uma intervenção "convencional" de mandar parar com o objetivo de impedir Jean Charles de "ir em frente", informou a agência de notícias britânica "PA".

"A senhora deu instruções para que atirassem?", perguntou o advogado da defesa, Ronald Thwaites, durante a audiência.

"Não", respondeu Dick, que insistiu em que também não deu nenhuma ordem que envolvesse atirar e matar, e lembrou que outros comandantes presentes na sala de controle da Scotland Yard usaram a palavra "stop" (pare), que a Polícia utiliza normalmente em operações para mandar parar ou deter alguém.

Dick ressaltou que a morte de Jean Charles, que tinha 27 anos e trabalhava como eletricista, foi "uma terrível tragédia" e que lamentava, e destacou que o jovem brasileiro foi "vítima das circunstâncias mais extraordinárias e terríveis".

"Tínhamos tido os fatos (atentados) de 7 e 21 de julho. Teve o azar de morar no mesmo bloco de apartamentos. Além disso, se parecia extraordinariamente com a pessoa que vivia nesse edifício", disse Dick, em referência a que Jean Charles residia no mesmo local que Osman.

Ao sair de casa para ir ao trabalho, na manhã do dia 22 de julho de 2005, o jovem brasileiro foi seguido por engano pelos agentes que participavam da operação mobilizada para capturar o terrorista até a estação de Stockwell, onde Jean Charles foi morto a tiros.

A Scotland Yard fica no banco dos réus depois que a Procuradoria britânica decidiu exonerar os agentes envolvidos no incidente e processar a instituição como um todo, por crimes contra uma lei de riscos trabalhistas que obriga as forças da ordem a velar pela integridade de todos, mesmo que não sejam seus funcionários.

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