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31/10/2007 - 15h30

Julgamento na Espanha atrai atenção da mídia árabe e elogios de analistas

Jorge Fuentelsaz Cairo, 31 out (EFE).- Os principais canais de televisão árabes destacaram a sentença expedida hoje pela Justiça espanhola sobre os atentados de 11 de março de 2004 em Madri, enquanto analistas elogiaram a transparência do processo mesmo considerando-o insuficiente para deter o terrorismo islâmico.

Tanto a rede "Al Jazira", do Catar, que abre seus telejornais com a notícia, quanto o canal "Al Arabiya", dos Emirados Árabes Unidos (EAU), concentraram atenção nas sentenças, especialmente as emitidas contra Jamal Zougam, José Emilio Suárez Trashorras e Otman el-Gnaoui, que foram condenados a mais de 38.000 anos cada um.

A "Al Arabiya" também menciona a sentença contra Rabei Osman el-Sayed, ou "Mohammed, o Egípcio", que foi absolvido de todas as acusações, destacando que esta foi a principal surpresa do processo.

Egípcios especialistas em movimentos islâmicos elogiaram a neutralidade do processo, mesmo ponderando que a Justiça não conseguirá deter este tipo de crime.

"Se eles não têm medo da morte, como vão temer ir para a prisão?", perguntou à agência Efe o analista egípcio Diaa Rashwan, em referência aos integrantes do grupo que cometeu o atentado e se suicidou em Leganés, nos arredores da capital espanhola.

Rashwan, do Centro Al-Ahram para Estudos Políticos e Estratégicos, considera que a absolvição de Rabei Osman demonstra que a rede terrorista Al Qaeda não esteve envolvida nos atentados de Madri.

"Osman está estreitamente ligado à Al Qaeda e sua absolvição demonstra que os atentados não têm qualquer relação com a Al Qaeda, mas foram obra de um grupo islâmico local, inspirado nas idéias da Al Qaeda", disse.

Para o especialista, todos os atentados dos últimos anos nos países ocidentais são obra de grupos regionais, "dos quais não só participam imigrantes mas habitantes nativos, como na Inglaterra, na Alemanha e nos EUA".

Outro especialista em grupos radicais islâmicos do mesmo centro, Amr al-Shobaki, destacou a transparência do julgamento e assegurou que "dá crédito internacional ao Governo e à Justiça espanholas, que não têm 'Guantánamos' espanhóis" como os EUA.

Shobaki disse à Efe que o comportamento da Espanha perante este processo é uma vitória das "forças democráticas que rejeitam o estilo americano" no combate ao terrorismo.

O pesquisador mostrou firme condenação aos atentados e ressaltou que a presença de tropas espanholas no Iraque não justificava a morte de civis inocentes, por mais contestável que fosse.

Embora concorde com Shobaki, Diaa Rashwan minimizou a importância do processo e declarou que este tipo de julgamento, por mais duras que sejam as sentenças, não conseguirá deter o terrorismo fundamentalista.

"Enquanto a política internacional continuar na mesma direção, continuará se encontrando com a mesma resposta. Estes julgamentos não são suficientes para deter este tipo de islamismo", ressaltou.

O porta-voz dos Irmãos Muçulmanos, Gamal Nassar, que disse não ter acompanhado o processo, insistiu que a organização rejeita a violência sob todas as formas. O porta-voz reiterou que seu grupo (o segundo maior movimento político do Egito, apesar de ilegal) não mantém qualquer relação com este tipo de organização radical.

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