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19/11/2007 - 17h27

Chávez e Ahmadinejad fortalecem aliança e confiam em queda do "imperialismo"

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, e seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, consolidaram hoje a aliança entre seus países com a assinatura de novos acordos "importantes", além de terem previsto uma iminente queda do "dólar" e do "imperialismo".

Em entrevista coletiva, os dois governantes concordaram em dizer que a reunião foi "construtiva" e "muito frutífera", além de declararem que suas nações "estarão juntas até o final".

Entretanto, os dois presidentes não especificaram se conversaram sobre o programa nuclear que a Venezuela planeja desenvolver.

Chávez chegou hoje ao Irã após ter participado, junto com Ahmadinejad, da cúpula dos chefes de Estado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concluída neste domingo em Riad, durante a qual exigiram um papel político do grupo em defesa dos interesses de seus membros.

"Felizmente somos testemunhas da queda do sistema da arrogância (Estados Unidos) e das contínuas vitórias dos povos", disse Ahmadinejad, que assinou hoje com Chávez quatro acordos de cooperação nos âmbitos econômico, industrial e bancário.

O iraniano também afirmou que a visita de Chávez, "apesar de ter sido muito breve, foi muito frutífera", e que "hoje houve um entendimento muito importante e construtivo, que acelerará o fortalecimento da cooperação".

"Os pontos de vista do meu querido irmão Chávez foram muito claros, construtivos e revolucionários. Estou de acordo com ele, estaremos sempre juntos e sairemos vitoriosos", acrescentou.

O presidente venezuelano reafirmou seu apoio ao programa nuclear iraniano, que afirmou ser pacífico, e elogiou a aliança de seu país com a República Islâmica.

"Dentro de pouco tempo, não se falará mais do dólar. O dólar está caindo e com ele cairá, graças a Deus, o imperialismo dos EUA", disse Chávez na entrevista coletiva, realizada no término de sua breve visita a Teerã.

O venezuelano também afirmou que as relações entre Irã e Venezuela têm especial importância para Caracas "nos pontos de vista morais, políticos, econômicos, sociais e geopolíticos", e calculou em US$ 4,6 bilhões o volume dos investimentos conjuntos.

"Nesta visita, assinamos bons acordos que, junto com os 186 firmados anteriormente, formam uma verdadeira rede de colaboração e um documento de nossa aliança integral", acrescentou.

Entre os acordos assinados hoje, "há um muito valioso que prevê a criação de um fundo conjunto para o desenvolvimento da cooperação industrial", acrescentou Chávez, cuja visita ao Irã é a quarta desde que Ahmadinejad chegou à Presidência, em 2005.

Durante sua estada em Teerã, o presidente venezuelano foi acompanhado por uma grande delegação que contava com a presença dos ministros de Relações Exteriores, Petróleo, Telecomunicações e Indústrias Básicas e Minas, entre outros.

O ministro da Indústria e Mineração iraniano, Ali Akbar Mehrabian, cifrou em US$ 20 bilhões o valor dos acordos de cooperação assinados entre Teerã e Caracas, e afirmou que a Venezuela se transformará em "um centro de produção e venda de automóveis iranianos na América Latina".

Em reunião com seu colega venezuelano, José Khan, Mehrabian considerou "estratégica" esta cooperação, e lembrou que, entre os protocolos assinados nos últimos anos, existe um que prevê o estabelecimento de uma fábrica de cimento e outro sobre a produção de automóveis.

"O Irã é capaz de produzir pelo menos dez mil veículos em 2008 na Venezuela", disse o ministro.

Fontes iranianas destacaram que Chávez e Ahmadinejad também comentaram o resultado da cúpula da Opep, na qual os membros da organização (incluindo o Equador, que firmou seu reingresso no grupo) reafirmaram o compromisso de garantir o abastecimento do mercado.

Na recente cúpula - a terceira desde a criação da Opep, em 1960 -, Chávez alertou que o valor do petróleo pode disparar até os US$ 200 por barril se os EUA invadirem o Irã por causa de seu programa nuclear.

Ahmadinejad descartou o uso do petróleo como arma pelo Irã no caso de um conflito bélico com os EUA, embora tenha ameaçado dar uma "resposta dura" se ocorrer um ataque americano.

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