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27/11/2007 - 15h58

Sérvios e albano-kosovares continuam longe de consenso sobre futuro do Kosovo

Jordi Kuhs Baden (Áustria), 27 nov (EFE).- Sérvios e albano-kosovares ainda não conseguiram encontrar algum ponto em comum sobre o futuro do Kosovo e continuam reafirmando suas posturas diametralmente opostas.

O segundo dia da conferência sobre o futuro da província sérvia, realizada em Baden (Áustria), até amanhã, foi dominado pela proposta dos sérvios de permitir ao Kosovo ter uma bandeira, um hino e uma Polícia própria.

O presidente sérvio, Boris Tadic, declarou que seu país está disposto a ceder ao Kosovo "a maior parte de competências e símbolos que normalmente estão reservados para países soberanos".

Belgrado insiste em manter sua soberania sobre Kosovo, incluindo o controle de suas fronteiras e de sua política externa, e não permitirá que a província de maioria albanesa entre na ONU.

Como era de se esperar, a proposta foi rejeitada pelos albano-kosovares, cujo futuro primeiro-ministro, Hashim Thaçi, descartou qualquer possibilidade de consenso com a Sérvia e antecipou a pronta independência do Kosovo.

"Podemos negociar por outros 100 anos, mas não há compromisso possível. Kosovo será um Estado", declarou hoje o ex-líder guerrilheiro.

Thaçi também acusou a Sérvia de querer dar ao Kosovo uma autonomia "como nos tempos de (Slobodan) Milosevic", em alusão ao ex-presidente sérvio que iniciou a repressão contra os albano-kosovares, em 1989.

O primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, afirmou que uma eventual declaração da independência da província violaria o direito internacional e as Nações Unidas como instituição.

Kostunica acrescentou que o caso do Kosovo não é só um problema da Sérvia, mas da comunidade internacional em geral.

"O dano feito à Sérvia não é nada em comparação com o dano ao direito internacional e à ONU. Depois disto, que autoridade terá o Conselho de Segurança da ONU?", disse o primeiro-ministro sérvio.

Enquanto Thaçi prometeu que não haverá violência no caminho rumo à independência, o ministro das Relações Exteriores sérvio, Vuk Jeremic, disse que as negociações devem continuar "para garantir a paz e estabilidade nos Bálcãs".

O ministro acrescentou que, nas conversas de hoje, a Sérvia apresentou novamente diferentes exemplos de autonomia, como a Catalunha e o País Basco, na Espanha.

O grupo de contato para o Kosovo, composto por Estados Unidos, Rússia e União Européia (UE), está intermediando as negociações entre sérvios e albano-kosovares, que devem terminar no próximo dia 10.

Os mediadores farão nesta quarta-feira duas reuniões separadas com as delegações e concederão em seguida, às 11h30, hora local (8h30 de Brasília), uma entrevista coletiva final em Viena.

Um relatório do grupo de contato deve ser entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no dia 10 de dezembro.

Os albano-kosovares anteciparam que, qualquer que seja o resultado das conversas, declararão a independência, já que não concordam com a proposta sérvia.

O Kosovo se encontra sob administração interina da ONU e vigilância da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde o final da guerra, em junho de 1999, e espera uma definição de seu status final.

Na antiga Iugoslávia, os albano-kosovares sempre tiveram menos direitos do que outras minorias étnicas, o que causou tensões violentas a partir dos anos 80, as quais desembocaram em um confronto armado entre guerrilheiros albaneses e forças de segurança sérvias no final dos anos 90.

A Otan interveio em março de 1999 e bombardeou alvos na Sérvia durante 78 dias, até que Belgrado retirou todas suas forças do Kosovo e deixou a província nas mãos de uma administração interina internacional.

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