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02/12/2007 - 20h00

Venezuelanos votam em referendo sobre reformas em clima de normalidade

Esther Borrell Caracas, 2 dez (EFE).- Em clima de normalidade, os venezuelanos foram às urnas hoje para dizer "sim" ou "não" no referendo sobre a reforma constitucional proposta pelo presidente do país, Hugo Chávez.

As zonas eleitorais fecharam oficialmente às 16h locais (18h de Brasília), embora algumas tenham permanecido abertas por um pouco mais de tempo pelo fato de alguns eleitores não terem conseguido votar. Os primeiros resultados serão divulgados nas próximas horas.

Fontes oficiais classificaram entre "regular e boa" a presença dos 16 milhões de eleitores convocados às urnas, mas ainda não existem números oficiais sobre quantos foram de fato votar.

Tanto Governo como oposição convocaram os eleitores a votarem durante todo o dia de hoje.

Para Chávez, a reforma constitucional dará "mais poder ao povo", enquanto seus adversários a vêem como um instrumento para estabelecer "um socialismo autoritário".

Após votar em um bairro no oeste de Caracas, o presidente venezuelano convidou todos os cidadãos a cumprirem esse direito e afirmou que respeitará o resultado do referendo, "seja ele qual for".

Acompanhado de seus filhos e netos, Chávez disse que será feita a vontade popular, antes de acrescentar que confia "em que a outra parte aceitará os resultados", em alusão às denúncias feitas por ele próprio a respeito de uma suposta intenção de setores opositores de considerar fraude uma vitória do "sim" à reforma.

O presidente manifestou sua "satisfação" pelo dia eleitoral "cheio de alegria e de participação popular".

No estado de Zulia (oeste), o governador e ex-candidato presidencial Manuel Rosales, que enfrentou Chávez nas urnas há um ano, defendeu o diálogo e que "um caminho para a paz" seja aberto na Venezuela.

"Que decidamos o melhor para a Venezuela. Trata-se de uma manifestação de amor pela Venezuela, por nosso futuro, por nossos filhos", disse Rosales, dando incentivo à participação dos eleitores em um dia que, segundo diversos líderes da oposição, farão a opção entre duas visões de futuro.

Para Rosales, o país se encontra em "uma grande encruzilhada", na qual é possível tomar "um caminho de desencontro" ou outro "rumo ao diálogo, à paz, à tranqüilidade".

A calma que reina neste dia de eleições, com exceção de alguns incidentes isolados, contrasta com os intensos ataques verbais feitos pelos dois grupos nos últimos dias da campanha.

Chávez encerrou na sexta-feira a campanha pelo "sim" com um discurso no qual denunciou a suposta existência de uma conspiração do Governo americano disposta a gerar o caos na Venezuela.

O presidente advertiu na semana passada que não permitirá violência durante esta noite.

Juntaram-se às vozes que se opõem à reforma os deputados do partido Podemos, ex-aliados de Chávez, e outras personalidades consideradas "chavistas", como o ex-ministro da Defesa venezuelano Raúl Baduel.

O deputado Ismael García, do Podemos, denunciou que "um anônimo apontou uma arma para o general Raúl Baduel", em um dos poucos incidentes registrados hoje.

Para García, "deve-se investigar quem enviou este anônimo", que talvez tenha sido incentivado pela "exagerada violência verbal" dos discursos de Chávez.

"Baduel saiu ileso do atentado contra si quando saía do centro de votação do Parque de Feiras San Jacinto, quando um veículo tentou atropelá-lo e, devido a esta ação, quatro pessoas ficaram feridas", relatou um jornal do estado onde ocorreram os fatos.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciará os resultados cerca de duas a três horas após o fechamento dos colégios eleitorais.

O clima de tranqüilidade levou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, a afirmar que a Venezuela dá hoje uma lição de democracia ao mundo inteiro ao votar "em paz e com tranqüilidade" e a declarar-se convencida de que esta mesma paz durará por todo este domingo.

Os pontos mais polêmicos da reforma incluem a implantação da reeleição presidencial ilimitada, de vários tipos de propriedade, como a comunal, além da privada, de um novo ordenamento territorial, e da possibilidade de o Estado restringir a informação durante os estados de exceção.

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