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10/12/2007 - 21h05

Fujimori rejeita acusações e promotoria reitera pedido de 30 anos de prisão

Rocío Otoya Lima, 10 dez (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori (1990-2000) sofreu hoje uma crise de hipertensão que obrigou o tribunal supremo a adiar para quarta-feira o processo que responde por violação aos direitos humanos.

Quando a audiência seria retomada, o médico pessoal de Fujimori informou ao tribunal que o ex-governante sentiu um mal-estar.

De acordo com o médico, o ex-presidente sofreu a crise de hipertensão por volta das 13h45 locais (16h45 de Brasília) e, ao ser examinado, sua pressão era de 190 mm/Hg (milímetros de Mercúrio) por 100 mm/Hg.

O boletim médico acrescentou que Fujimori sentiu dores no peito, de cabeça e garganta, e lembrou que o paciente "é um hipertenso crônico".

Após consultar a acusação e a defesa, o juiz César San Martín disse que a audiência continuará na próxima quarta-feira às 9h30 (12h30 em Brasília).

Minutos antes, Fujimori havia rejeitado, em tom exaltado, a acusação da promotoria, que pediu uma pena de 30 anos de prisão e o pagamento de 100 milhões de sóis (US$ 33,3 milhões) por violação dos direitos humanos.

Em meio à expectativa nacional e a uma desorganização no tribunal, Fujimori foi o primeiro governante peruano a ser processado sob acusação de violar os direitos humanos.

A Sala Penal Especial da Corte Suprema julga o ex-presidente pelos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), no quais morreram 25 pessoas, e pelos seqüestros do jornalista Gustavo Gorriti e o empresário Samuel Dyer.

Fujimori é acusado de ser "autor mediato" (ter planejado, organizado e dirigido as ações) dos delitos cometidos pelo grupo militar secreto "Colina".

O ex-líder, que até então havia escutado impassível, se exaltou quando o presidente do tribunal, César San Martín, pediu que dissesse se aceitava os termos do julgamento.

Fujimori disse que recebeu o país, em 1990, "em colapso", com grave inflação, em isolamento financeiro internacional e assolado pelo grupo armado Sendero Luminoso.

Também existiam grupos paramilitares como o chamado "Comando Rodrigo Franco", que - segundo a imprensa peruana - teve vínculos com o primeiro Governo do presidente Alan García (1985-1990), disse.

Fujimori acrescentou que "com esta situação, com o país sangrando, houve reformas dentro do contexto do respeito aos direitos humanos".

As alegações feitas por Fujimori foram interrompidas por San Martín, que pediu para respeitar a direção do tribunal.

"Aqui comando eu", disse San Martín, para depois lembrar que ao longo do processo Fujimori terá a oportunidade de responder todas as perguntas que lhe forem feitas.

O ex-presidente afirmou, com a voz embargada, que "sua defesa será à base de provas e não de indícios". Em seguida, um grupo de seguidores de Fujimori, que assistiam à audiência, irromperam em aplausos, o que levou o titular do tribunal a lembrar a proibição de "qualquer tipo de manifestação a favor ou contra".

No início da sessão, os membros do tribunal afirmaram que serão "firmes" em suas decisões e reconheceram que estão "conscientes da expectativa social" gerada pelo julgamento.

Entre os que estão previstos para comparecer ao processo está o ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos, que por motivos de segurança não foi levado até o local do julgamento e será citado quando "pertinente", segundo San Martín.

Quando os familiares das vítimas entraram no local houve um breve momento de tensão Raida Condor e Gisella Ortiz, mãe e irmã, respectivamente, de duas vítimas do massacre de La Cantuta se sentaram e não olharam para os parentes e pessoas próximas do ex-líder.

O início do julgamento, que entrou em recesso até as 15h (18h de Brasília), coincide com o aniversário da Declaração dos Direitos Humanos de 1948.

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