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26/12/2007 - 10h59

Talibãs aumentam presença no Afeganistão em 2007

Naweed Haidary Cabul, 26 dez (EFE).- Com quase seis mil mortos devido à violência, 2007 foi o ano mais sangrento no Afeganistão desde o início da Operação Liberdade Duradoura, em 2001, mas até o momento os talibãs não deram sinais de enfraquecimento.

Segundo um recente relatório publicado pelo centro independente de estudos Senlis Council, os talibãs já têm presença permanente em 54% do território afegão, e o país corre o sério risco de ficar totalmente sob seu controle.

O relatório também mostra que apesar de as operações dos soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) terem aumentado, os talibãs controlam cada vez mais territórios, entre eles zonas rurais, algumas capitais de distrito e importantes vias.

Um exemplo da insegurança reinante no país é o seqüestro de 23 missionários cristãos sul-coreanos durante sua passagem pela província de Ghazni (leste), em 19 de julho. Eles viajavam de ônibus pela estrada que une as duas principais cidades do país, Cabul e Kandahar.

O seqüestro, que terminou em 30 de agosto, foi um golpe de efeito para os fundamentalistas, que negociaram com os parlamentares afegãos e o Governo da Coréia do Sul a libertação dos reféns - após matarem dois deles - e conseguiram o pagamento de uma grande quantia.

Os talibãs parecem ter descoberto definitivamente as vantagens que podem obter com o seqüestro de estrangeiros, como o do jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, libertado em troca de cinco insurgentes presos.

Os radicais responderam à "Operação Aquiles" - a maior ofensiva conjunta aliada lançada em 2001 - com a intensificação da luta a partir de maio em todo o território afegão, utilizando todo tipo de armas e ataques.

O aumento da violência foi refletido em outubro pelo representante especial das Nações Unidas para o Afeganistão, Tom Koenigs, que afirmou na saída de uma reunião do Conselho de Segurança que devido à situação, o papel das tropas internacionais no país havia se tornado imprescindível.

Segundo o Senlis Council, o território controlado pelos talibãs não parou de crescer e a linha de frente está cada vez mais próxima da capital, ao ponto de fazer com que a questão não seja mais se os talibãs chegarão a Cabul, mas "quando chegarão, e de que forma".

Koenigs, em seu relatório dirigido ao Conselho de Segurança, afirmou que os episódios violentos aumentaram 30% em relação a 2006.

Já os atentados suicidas passaram de 88 para 133.

A maior parte da violência ocorre nas províncias do sul e leste do país. No entanto, os talibãs parecem ter adotado a estratégia dos insurgentes iraquianos, utilizando-se cada vez mais de atentados suicidas e da colocação de bombas em estradas afegãs.

O resultado mais evidente foi o aumento das mortes de civis, freqüentemente vítimas dos ataques talibãs. No entanto, o fogo cruzado e os bombardeios da tropa internacional também chamaram a atenção.

Em abril, o presidente afegão, Hamid Karzai, pediu mais precaução à Otan e classificou essas mortes de "inaceitáveis". A principal ameaça para as tropas internacionais é a perda de popularidade entre os afegãos devido às baixas civis.

A metade dos 1,2 mil civis mortos este ano no Afeganistão foi vítima de operações internacionais (tanto da Otan como do contingente americano) ou das forças do Governo de Cabul, segundo dados da organização de ajuda humanitária Oxfam.

Em uma recente visita ao Afeganistão, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que a Aliança Atlântica se esforça "duramente" para evitar baixas entre a população civil.

Com quase 40 mil soldados, a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), que atua sob mandato da ONU e comando da Otan, continua sendo o principal pilar de defesa contra os talibãs, que ameaçam o terreno reconquistado no sul no marco da "Operação Aquiles".

Também há outros 13 mil soldados americanos e as próprias forças afegãs: cerca de 47 mil homens, um número que deve aumentar e passar para aproximadamente 70 mil no final de 2008.

Koenigs advertiu, no entanto, que mesmo o novo contingente deve ser insuficiente para manter a segurança em todo o país.

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