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11/01/2008 - 12h53

Bush marcou as bases do processo de paz em visita a Israel e Cisjordânia

César Muñoz Acebes Jerusalém, 11 jan (EFE).- Na primeira viagem que fez a Israel e Cisjordânia desde que chegou à Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deu detalhes de sua "visão" de paz no Oriente Médio, que contempla importantes concessões especialmente por parte dos palestinos.

Em declaração surpresa à imprensa que o acompanha, Bush disse que os Estados Unidos acreditam que deve haver um futuro acordo para encerrar os 60 anos de violência e ódio em Jerusalém.

A afirmação indica uma renúncia dos refugiados ao direito de voltar para as casas que abandonaram em 1948 e a anexação por parte de Israel do território onde alguns assentamentos foram construídos.

Bush chegou a Israel na quarta-feira com palavras de otimismo. O país recebeu de braços abertos o homem que, para eles, representa um líder no combate ao terrorismo e ao radicalismo islâmico.

A visita parecia que não teria grande impacto, por causa de suas vagas manifestações iniciais sobre o processo de paz.

No entanto, a declaração de quinta-feira mudou tudo.

Bush falou com a imprensa após se reunir separadamente com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

O Conselheiro de Segurança Nacional americano, Stephen Hadley, deixou transparecer que a declaração de Bush reflete um consenso entre as duas partes, ao explicar que representa os termos do diálogo atual entre eles.

Bush sugeriu que as 4,4 milhões de pessoas espalhadas pelos países da região devem ser indenizadas. Os cidadãos reivindicam voltar para seus lares que eles ou seus pais abandonaram no que hoje é Israel durante a guerra de 1948.

No entanto, o presidente americano não deu detalhes sobre quem forneceria o dinheiro, nem em qual quantia está pensando.

Além disso, disse que Israel é uma "pátria para o povo judeu" e um "Estado judeu", dando a entender que apóia a posição do Governo israelense de se negar a aceitar os refugiados árabes, que, caso voltassem em massa, poderiam se tornar a maioria da população.

Em carta enviada em 2004 a Ariel Sharon, então primeiro-ministro de Israel, Bush disse que os refugiados deveriam ir para o futuro Estado palestino e não para Israel.

Sobre o território, o presidente afirmou que a nova fronteira será diferente da linha de armistício de 1949, "de modo que reflita a realidade atual".

Com isso, Bush indicou que parte dos assentamentos na Cisjordânia - considerados ilegais pelas Nações Unidas - ficarão dentro do Estado de Israel.

A idéia também estava presente na carta de 2004, quando Bush disse que o acordo de paz deve considerar "os principais centros de população israelense que existem hoje".

O chefe de Estado americano afirmou que a Palestina deve ser um estado com território "contínuo" e não um "queijo suíço", furado por redutos israelenses - afirmação que visivelmente agradou a Abbas durante uma entrevista coletiva conjunta com Bush em Ramala.

Na declaração de quinta-feira, o presidente americano pediu o fim da "ocupação" iniciada em 1967. O uso da palavra "ocupação" incomodou o Governo israelense, disseram fontes oficiais à imprensa.

Em 1967, Israel conquistou a Cisjordânia, Faixa de Gaza, Jerusalém Oriental e as Colinas do Golã, entre outros territórios.

Durante toda a visita, Bush solicitou aos israelenses que detenham a expansão dos assentamentos - construídos sem a permissão do Governo - e que resolvam os enclaves ilegais, como estabelece o "Mapa do Caminho", plano de paz estipulado em 2003 que estava estagnado até agora.

No entanto, Israel fez ressalvas. Olmert disse diante de Bush que Jerusalém Oriental "não está na mesma situação" que a Cisjordânia e que a construção no lado oriental da cidade continua.

A Casa Branca não comentou o assunto. Em todo caso, o que fica claro após a visita é que Bush se envolveu nas negociações, uma mudança radical se comparada a sua postura no restante de seu mandato.

Até então, Bush se dedicava a estabelecer uma democracia no Iraque, que - ele acredita - facilitaria a paz no Oriente Médio.

Isso não ocorreu e o chefe de Estado americano adotou finalmente a diplomacia gradual, detalhada e difícil de seus antecessores.

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