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12/01/2008 - 00h13

Observadores denunciam projeto político de Chávez na Colômbia

Guillermo Tovar Bogotá, 11 jan (EFE).- A crescente intervenção do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em questões da Colômbia é uma prova do projeto político que ele está promovendo no país, segundo observadores que não descartam que o venezuelano esteja financiando a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A ingerência chegou a seu ponto máximo na quinta-feira, quando o Governo de Chávez dirigiu a libertação da ex-candidata a vice-presidente da Colômbia, Clara Rojas, e da ex-congressista Consuelo González de Perdomo. As duas haviam sido seqüestradas pelas Farc há seis e sete anos, respectivamente.

As reféns foram resgatadas nas selvas colombianas por delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em helicópteros do Governo da Venezuela. Em território venezuelano, Chávez foi o foco das atenções, recebendo as reféns.

No momento da libertação, o ministro do Interior da Venezuela, o capitão reformado Ramón Rodríguez Chacín, se despediu afetuosamente dos guerrilheiros das Farc. "Estamos muito confiantes na sua luta", disse.

Mas o que causou mais impacto na Colômbia foi o discurso de Chávez pronunciado nesta sexta-feira. Ele afirmou que as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) são "exércitos" e pediu que os dois sejam retirados das listas de grupos terroristas elaboradas pelos Estados Unidos e pela União Européia.

As Farc, a guerrilha mais antiga do país, fundada em 1964 e com cerca de 17 mil integrantes, é próxima aos ideais bolivarianos de Chávez.

O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana (1998-2002) disse que a afirmação de Chávez merece uma nota diplomática e um chamado a consultas do embaixador da Colômbia em Caracas.

"Chávez fala de um exército. Eu pergunto a alguém que foi militar, como ele: exércitos seqüestram? Exércitos assassinam, cometem narcotráfico?", reagiu o ex-presidente, que tentou conseguir a paz com as Farc durante seu mandato.

Também causou mal-estar na imprensa colombiana a presença da senadora de oposição Piedad Córdoba conversando amistosamente com os guerrilheiros e toda vestida de vermelho, como é costume entre os partidários de Chávez.

A congressista acompanhava Chávez na mediação que o presidente da Colômbia autorizou no ano passado para conseguir a libertação dos reféns das Farc, cancelada em novembro.

O almirante reformado venezuelano Mario Ivan Carratú declarou à emissora colombiana "W" que as declarações de Chávez e Chacín são parte de um projeto político socialista pelas mãos das Farc.

Carratú disse que Chávez está promovendo o projeto por meio de políticos colombianos, como Piedad Córdoba e Gustavo Petro, parlamentar socialista que foi guerrilheiro do desmobilizado Movimento 19 de Abril (M-19).

A pesquisadora Natalia Springer, especialista em temas de conflito, sugeriu em sua coluna no jornal "El Tiempo" que a Venezuela está financiando as Farc.

"Aparentemente, o grupo guerrilheiro teria recebido uma grande soma de dinheiro dos Governos venezuelano e francês", disse, lembrando que entre os reféns das Farc se encontra a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa.

Segundo Springer "o pagamento teria um peso muito importante nos planos das Farc". Para ela, o grupo armado busca insistentemente "adquirir mísseis terra-ar para compensar a desvantagem estratégica das missões aéreas, hoje essenciais para o sucesso das operações das Forças Armadas".

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