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17/01/2008 - 18h22

Conselho de Segurança da ONU critica lentidão de reformas em Mianmar

Nações Unidas, 17 jan (EFE) - O Conselho de Segurança da ONU criticou hoje "o ritmo lento" do processo de reforma que foi pedido que o regime militar de Mianmar (ex-Birmânia) implementasse, após a violenta repressão aos protestos civis em favor da democracia.

Os quinze membros do principal órgão das Nações Unidas confirmaram em comunicado seu apoio às metas fixadas em declarações anteriores sobre Mianmar, nas quais se pediu que Yangun libertasse todos os presos políticos e dialogasse com a oposição.

"Lamentamos o ritmo lento do progresso para alcançar esses objetivos", ressalta o comunicado, que foi lido à imprensa pelo presidente de turno do Conselho, o embaixador líbio Giadalla Ettalhi.

O texto destaca "a importância de conseguir um maior progresso", e indica que uma visita em breve do enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, "poderia facilitar isso".

No entanto, a Junta Militar do país rejeitou o recente pedido do diplomata nigeriano de voltar ao país em janeiro e sugeriu que o fizesse em abril, explicou o mesmo Gambari à imprensa após a reunião do Conselho de Segurança.

"O secretário-geral (da ONU, Ban Ki-moon) disse que isso era inaceitável, e agora estamos negociando uma data. Com todos os assuntos que temos sobre a mesa, é melhor que isso ocorra o mais rápido possível", acrescentou.

O embaixador dos Estados Unidos perante a ONU, Zalmay Khalilzad, afirmou que a "ausência de progressos" no processo de reforma demonstra que a comunidade internacional precisa mudar sua estratégia.

"Nossa opinião é que para conseguir ter êxito, e evitar que se solape a credibilidade do Conselho de Segurança, temos que aumentar a pressão sobre o regime e diminuir a brecha entre o que está acontecendo e o que queremos que aconteça", disse.

Ele acrescentou que a pressão deveria começar com uma declaração por parte dos "países com influência" sobre Mianmar, em referência à China e Índia, de que a situação não é bem vista.

Tanto Pequim como Nova Délhi, no entanto, se mostraram até o momento reticentes a pressionar o país vizinho, com o qual mantêm estreitos laços econômicos.

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, manteve no dia 11 de janeiro sua quarta reunião com o ministro de Trabalho birmanês, o general Aung Kyi, que foi nomeado em 2007 para ser o elo do Governo com a líder opositora.

O diálogo entre ambas as partes, considerado imprescindível para restabelecer a democracia, estava suspenso desde 19 de novembro.

No entanto, o Governo militar ainda não atende às exigências internacionais de suspender a pena de prisão domiciliar que Suu Kyi cumpre e de libertar os milhares de presos políticos que calcula-se que estão nas cadeias.

O regime condenou esta semana a penas de entre três e oito anos de prisão treze ativistas que participaram das manifestações de setembro.

A Junta Militar afirmou que quinze pessoas morreram e três mil foram detidas durante a repressão dos protestos, mas a ONU eleva para 31 o número de mortos e a dissidência defende que pelo menos 200 indivíduos teriam falecido e mais de seis mil foram detidas.

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