UOL Notícias Notícias
 

28/01/2008 - 06h04

Nenhum procurador conseguiu levar à Justiça ex-ditador Suharto

Jacarta, 28 jan (EFE) - O ex-presidente indonésio Suharto foi enterrado hoje com honras de Estado sem que nenhum dos últimos oito responsáveis da Procuradoria Geral conseguisse processá-lo por corrupção ou pela morte de cerca de meio milhão de pessoas nos expurgos de 1965.

Sem nunca ter respondido a um tribunal, Suharto morreu no domingo aos 86 anos em um hospital de Jacarta sem se recuperar do coma.

Vários procuradores tentaram levá-lo perante a Justiça, mas tropeçaram em uma legião de juristas e ficaram com vitórias menores sobre membros secundários do clã, sem contar Hutomo Mandala Putra, mais conhecido como Tommy, o quinto filho e favorito do "general sorridente".

O multimilionário Tommy, famoso playboy e apaixonado pelas corridas, foi condenado em 26 de julho de 2002 a quinze anos de prisão por homicídio premeditado, pena que foi reduzida a dez anos com a apelação e que recebeu reduções posteriores, uma delas por ter doado sangue, o que lhe permitiu ser libertado em 20 de outubro de 2006.

O irritadiço Tommy, considerado um "intocável" enquanto seu pai governou, ordenou a dois sicários em 2001 que assassinassem o juiz Syaifuddin Kartasasmita, do Supremo Tribunal, que havia condenado o filho de Suharto por fraude ao Estado no ano anterior.

O caso, apesar de ter representado um golpe para a família, não aplacou os apelos dos grupos civis para recuperar os US$ 35 bilhões que a organização Transparência Internacional calcula que a família tenha acumulado ilicitamente enquanto o general permaneceu no poder.

A investigação começou em 1º de setembro 1998 e ficou a cargo do procurador-geral, Andhi Ghalib, que no ano seguinte viajou à Suíça em busca de contas bancárias secretas do ex-líder que, segundo a revista "Time", na edição de maio de 1999, continham pelo menos US$ 9 bilhões.

Em 1999, sob o mandato de Abdurrahman Wahid, um intelectual islâmico que lutou contra a "Nova Ordem" imposta por Suharto, a investigação ganhou força.

O ex-ditador é acusado de corrupção com os recursos das fundações beneficentes que presidiu em 2000 e em maio passa a prisão domiciliar.

A audiência preliminar é marcada para 31 de agosto desse ano, mas o acusado não comparece e seus advogados apresentam uma justificativa fundamentada em seu mau estado de saúde.

Se as aparições públicas de Suharto já eram raras naquela época, se tornaram então extraordinárias e, quase sempre, eram para internar no Hospital Pertamina por diferentes doenças, particularmente embolias (duas vezes) e hemorragias internas.

Em 12 de maio de 2006, o então procurador-geral do país, Abdul Rahman Saleh, anunciou que tinham retirado as acusações contra Suharto.

A Promotoria só voltaria à carga em 9 de julho de 2007, quando ele foi acusado de uso indevido de US$ 1,54 bilhão de fundos públicos. Os promotores exigem que o ex-presidente indonésio devolva US$ 440 milhões e pague uma indenização de US$ 1,1 bilhão.

Os advogados do Estado tiveram um pouco mais de sorte com parentes de "segunda linha" do clã, como o meio-irmão de Suharto, Probosutedjo, que foi condenado em 2003 a quatro anos de prisão por desvio e fraude de US$ 11,2 milhões de um fundo estatal durante o período de 1994 até 1997.

A filha mais nova de Suharto, Siti Hutami Endang Adiningsih, ou Mamiek, também passou por um julgamento, em 2000, que lhe condenou por posse ilegal de armas a trinta dias de boa conduta.

Pequenas vitórias sobre o general que dirigiu o expurgo após a tentativa de golpe de Estado comunista em 1965, que deixou cerca de meio milhão de mortos, e que ocupa as listas de dirigentes mais corruptos do mundo das últimas décadas do Banco Mundial e da Transparência Internacional.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host