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01/03/2008 - 20h38

Cristina Kirchner faz panorama otimista, mas evita assuntos polêmicos

Buenos Aires, 1 mar (EFE).- A presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner, traçou hoje um panorama econômico otimista durante a abertura do novo período de sessões do Parlamento, previu uma solução ao conflito regional pelo gás e evitou entrar em temas polêmicos como a inflação, a maior ameaça em seus quase três meses de governo.

Cristina insistiu em sua defesa à integração regional e expressou sua confiança na responsabilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do dirigente boliviano Evo Morales, para chegar a um acordo visando melhorar a repartição do gás boliviano.

"Confio plenamente na nossa responsabilidade e na dos presidentes de Brasil, Bolívia, Chile e Uruguai (...) além da lógica representação dos interesses locais, temos clara consciência de que a integração é o único caminho possível", insistiu.

A presidente da Argentina apostou que será possível um acordo energético que garanta o abastecimento de gás aos países da região.

Em relação ao Governo, Cristina teceu elogios às conquistas econômicas da gestão anterior de seu marido Néstor Kirchner - ausente na sessão inaugural do Congresso -, e ressaltou a oportunidade da Argentina em manter o ritmo da economia e alcançar o recorde de seis anos de crescimento ininterrupto, algo insólito na história do país.

Após a crise de 2001, a Argentina iniciou um ciclo de crescimento que levou o país a taxas médias de 8% e que, segundo analistas, pode se manter durante este ano.

Em seu discurso, Cristina reiterou seu compromisso com a redução da pobreza, a geração de empregos e sua aposta pelo desenvolvimento das infra-estruturas, da educação e da saúde públicas.

A presidente aproveitou para criticar os bancos privados que segundo ela, "resistem" a conceder créditos para a produção.

Cristina evitou falar sobre a polêmica em torno da inflação, que desencadeou conflitos internos em sua equipe econômica, limitando-se a assegurar que a Argentina pode "sustentar preços internos que permitam manter a qualidade de vida da sociedade".

Nas últimas semanas, o Governo, que reconheceu oficialmente uma inflação de 8,5%, compactuou com organizações sindicais aumentos salariais de 20%, o que, segundo analistas, supõe um reconhecimento tácito do nível real de aumento dos preços.

Em relação aos Direitos Humanos, Cristina manteve sua tradicional postura a favor da agilização dos julgamentos contra os acusados de crimes de lesa-humanidade e apontou que as penas estabelecidas para o tráfico de drogas e os seqüestros se ampliarão também para os acusados deste tipo de crimes.

"De 992 pessoas diretamente acusadas (de crimes de lesa-humanidade), apenas 342 foram processadas", lamentou a presidente.

Para a oposição, Cristina Fernández perdeu a oportunidade de falar de alguns dos mais importantes problemas do país.

De acordo com Adrián Pérez, deputado pela Afirmação para uma República Igualitária (ARI), no discurso de Cristina "houve uma ausência de temas centrais", como "a luta contra a inflação, a reforma política e a corrupção, que foi um ponto débil do Governo".

"É claro que houve um crescimento econômico, mas na seguinte etapa é preciso analisar como faremos de forma mais eqüitativa a distribuição de renda. Hoje seguem no país desigualdades muito grandes", afirmou o deputado à Agência Efe.

Também segundo o titular da opositora União Cívica Radical (UCR), Gerardo Morales, as palavras de Cristina "estão afastadas da realidade", enquanto o deputado socialista Roy Cortina considerou "perigosos os rumos que o discurso da presidente tomou".

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