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14/03/2008 - 18h06

Autoridades falam em pelo menos 60% de presença nas eleições no Irã

Fouad Abderrahim Teerã, 14 mar (EFE).- As autoridades iranianas asseguraram que pelo menos 60% dos 43 milhões de eleitores compareceram às urnas para eleger o oitavo "Majlis" ou Parlamento na história da República Islâmica.

Os dirigentes do processo eleitoral afirmaram ainda que a votação, considerada crucial para o futuro dos reformistas, derrotados no pleito de 2004, "foi enorme", apesar de os iranianos estarem ocupados com os preparativos para a festa do Noruz, Ano Novo iraniano, que começa na quinta-feira.

"Até agora a participação foi de 60%", disse o presidente da Comissão Central para a Supervisão das Eleições (CCSE), aiatoleslam Mohamad Moussa Bur, segundo a agência "Irna".

Os colégios eleitorais foram fechados às 23h (16h30 de Brasília) na capital e uma hora antes nas demais cidades, e a apuração já começou.

O ministro do Interior Mustafá Burmohamadi afirmou que os resultados nas várias províncias serão anunciados gradualmente entre sábado e domingo, embora os de Teerã poderão se estender até terça ou quarta-feira.

Já o presidente do CCSE reconheceu que sua comissão recebeu queixas sobre "algumas irregularidades", mas afirmou que estas "são muito poucas em comparação com as eleições realizadas anteriormente no país" e acrescentou que não foram registrados incidentes durante a votação nas 30 províncias do país.

Afirmações sobre a "grande presença" na votação foram feitas também pelo porta-voz da influente Conselho de Guardiães, Abbas Ali Kadkhodaei, cuja instituição tinha desqualificado mais de 2 mil dos candidatos a deputados, muitos deles reformistas.

O presidente da Comissão Eleitoral, Reza Afshar, considerou que "a grande participação diminuiu as chances de haver segundo turno do pleito", nos mais de 4.700 candidatos das diferentes correntes políticas concorrem pelas 290 cadeiras da câmara.

Segundo vários dirigentes do processo eleitoral o comparecimento às urnas "aumentou notavelmente" à tarde.

Em vários distritos da capital foi notada a presença de gente nos centros eleitorais, embora seu número fosse de dezenas em muitos casos, inclusive mulheres, que representam um pouco mais da metade dos iranianos com direito a voto.

"Voto porque tenho que fazer e por ser um membro da sociedade", disse Simá, uma jovem de cerca de 20 anos, após confessar que conhecia apenas "três ou quatro" dos 30 candidatos que concorriam por Teerã.

Simá, que esperava sua vez entre cerca de 20 pessoas para votar em uma urna móvel do bairro Fatemi, disse que marcaria os nomes dos candidatos que conhecia, independentemente se eram reformistas ou conservadores.

Outro eleitor do bairro Tagrish (norte) disse que votou nos reformistas, apesar de comentar que tem "certeza de que não farão nada se chegarem ao Parlamento".

"O que quero é ter o selo comprovante de votação em minha carteira de identidade", disse o homem que não quis se identificar.

Sua opinião é compartilhada por muitos iranianos e se deve, segundo os analistas, à insatisfação da população em relação aos crescentes problemas econômicos, principalmente à inflação incontrolável e à incessante alta dos preços.

No entanto, muitos iranianos lembram que os reformistas do ex-presidente Mohammad Khatami, que governou de 1997 até a vitória do presidente ultraconservador, Mahmoud Ahmadinejad, em 2005, "também não resolveram os problemas", mas aliviaram até certo ponto as restrições na sociedade.

Apesar disso, o ambiente eleitoral em Teerã se dilui entre as dezenas de milhares de pessoas que saíram às ruas e lotaram os shoppings e seus arredores, além das principais lojas, para fazer suas compras antes da chegada do Noruz.

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