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18/03/2008 - 08h40

Livro revela existência de canal de comunicação entre IRA e Governo britânico

Londres, 18 mar (EFE).- As memórias de Jonathan Powell, chefe de gabinete durante o governo do trabalhista Tony Blair, revelaram a existência durante vários anos de um canal secreto de comunicação entre o Governo britânico e o IRA.

Powell explica esta relação em seu livro "Great Hatred, Little Room: Making Peace in Northern Ireland" (Muito ódio e pouco espaço: Fazendo a paz na Irlanda do Norte, tradução livre), que teve alguns trechos já publicados no jornal britânico "The Guardian".

Segundo o autor, o processo de paz na Irlanda do Norte talvez não tivesse sido possível sem este canal secreto.

O livro conta que esta relação secreta, que funcionou entre 1973 e 1993, envolvia não apenas agentes dos serviços de informação britânicos MI5 e MI6, mas também um empresário chamado Berendan Duddy, da região de Derry, na Irlanda do Norte.

"Para um Governo democrático é muito difícil reconhecer que mantém conversas com grupos terroristas enquanto estes matam seus cidadãos", explica Powell, que recentemente afirmou que os países ocidentais deveriam estar dispostos a conversar inclusive com a Al Qaeda.

"Por sorte, para o processo (de paz na Irlanda do Norte), o canal secreto de comunicações entre o Governo britânico e o IRA esteve sempre disponível quando foi necessário a partir de 1973", explica o ex-colaborador de Blair.

No entanto, este canal foi usado apenas em três ocasiões importantes: para negociar um cessar-fogo do IRA em meados dos anos 70, durante a primeira greve de fome do IRA, em 1980, e na fase inicial do processo de paz, nos anos 90.

Apesar disto, o simples fato da existência deste canal entre a liderança do IRA e a sede do chefe do Governo de Londres - viabilizado principalmente pelo empresário Duddy e por um agente do MI6 chamado Michael Oatley - foi muito importante.

Este canal de comunicação foi interrompido em 1993, quando o principal negociador do Sinn Féin - o braço político do IRA -, Martin McGuinness, reagiu irado às acusações de que enviou uma mensagem que supostamente dizia que o conflito estava encerrado.

Segundo Powell, a veracidade da mensagem em questão ainda não é clara, mas o certo é que estabeleceu as bases para o processo de paz. "John Major (então primeiro-ministro britânico) pensou: Bom, talvez isto nos dê a oportunidade de superar o ponto morto na Irlanda do Norte", afirmou o ex-governante.

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