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21/03/2008 - 15h39

A cada minuto, um novo caso de dengue no RJ

Rio de Janeiro, 21 mar (EFE).- As autoridades do estado do Rio de
Janeiro admitiram, após terem insistentemente negado, a existência
de uma epidemia de dengue, que, segundo números divulgados hoje,
avança ao ritmo de um caso reportado por minuto.

Até hoje, segundo os últimos números oficiais, em modificação
hora após hora, eram 23.555 os casos registrados na cidade do Rio de
Janeiro, mas ao somar com os detectados em localidades vizinhas,
chegavam a mais de 35.902 desde janeiro último.

O número de mortos, ao longo do ano, girava em torno de 49, mas o
número poderia ser muito maior, pois os médicos ainda esperavam pelo
resultado de exames de outras 49 pessoas que faleceram com suspeitas
de possuir a doença.

Segundo relatório da Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil,
dos incluídos na lista de falecidos, 29 casos ocorreram na cidade do
Rio, onde, segundo alguns especialistas, uma combinação de fortes
chuvas e deficiências de saneamento básico criaram o habitat
perfeito para a reprodução do mosquito "Aedes aegypti", que
transmite a doença.

Segundo dados oficiais, a metade dos doentes corresponde a
crianças de até 14 anos de idade, dos quais 25 já faleceram.

O último caso confirmado foi o de um bebê de oito meses que
morreu durante a madrugada de hoje em um hospital da zona norte da
cidade.

A situação é a pior vivida desde 2002, quando a dengue matou
cerca de 90 pessoas em solo fluminense; 54 delas viviam na capital.

Só nesta quinta-feira foram confirmados 2.053 novos casos, o que
supôs uma alarmante média de 1,4 por minuto.

Apesar do alerta de muitos médicos, na semana passada, sobre as
novas dimensões do assunto, somente na quinta-feira as autoridades
estaduais aceitaram que estão diante de uma dura epidemia, uma
qualificação à qual o prefeito do Rio, Cesar Maia, ainda resiste.

O secretário de Saúde do governo, Sergio Cortes, admitiu a
existência da epidemia e pediu "desculpas" aos doentes pela
autêntica "Via-Sacra" sofrida nos dias atuais em hospitais
abarrotados que não são suficientes para atender a enorme profusão
de pacientes.

Embora ainda não reconheça a epidemia e assegure que a situação
começou a ser controlada, a Prefeitura do Rio recomendou hoje que,
apesar das intensas temperaturas, próximas a 37 graus, as crianças
usem calça comprida, meias e sapatos fechados.

A idéia é minimizar a possibilidade de as crianças serem picadas
nas pernas pelos mosquitos, que, segundo os especialistas, têm o
hábito de voar a poucos centímetros do solo.

À delicada situação nos hospitais, que tiveram que pedir, esta
semana, camas adicionais ao Exército, se somou agora a ameaça de que
se esgotem as reservas de plaquetas, necessárias para se tratar os
doentes.

O Hemorio fez hoje uma chamada a possíveis doadores, pois a
demanda por plaquetas aumentou 50% e calcula-se que, caso o ritmo
atual seja mantido, as reservas existentes se esgotarão no próximo
domingo.

Para tratar de impedir que se chegue a esse extremo, um ônibus
equipado com aparatos usados na extração de sangue começou a
percorrer, hoje, a cidade, em busca de possíveis doadores.

O Governo federal também estendeu o alerta e o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, criou um "gabinete de crise", que se reunirá na
próxima segunda-feira, após as festividades da Semana Santa, a fim
de estudar uma forma de auxiliar as autoridades regionais.

Uma medida que com certeza será adotada é a convocação das Forças
Armadas para auxiliar na tarefa de fumigação, tal como foi feito em
Brasília no começo do ano. A capital federal registrou na ocasião um
surto de febre amarela, doença tropical transmitida pelo mesmo
"Aedes aegypti".

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