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13/04/2008 - 16h44

Quênia anuncia composição do primeiro Governo de coalizão de sua história

Pedro González Lasuén Nairóbi, 13 abr (EFE).- O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, anunciou hoje a composição do primeiro Governo de coalizão da história do país, no qual seus partidários conservaram as pastas de maior relevância.

O único cargo assegurado estava reservado para o líder do partido opositor Movimento Democrático Laranja (ODM), Raila Odinga, novo primeiro-ministro de um Executivo com 40 ministros. O Governo queniano não era composto por tantos membros desde a independência do país, em 1963.

O Partido de União Nacional (PNU) de Kibaki e seus aliados do Movimento Democrático Laranja do Quênia (ODM-K), partido do vice-presidente Kalonzo Musyoka, obtiveram os cargos mais relevantes.

As pastas de Administração Provincial e Segurança Interna (George Saitoti); Defesa (Yousef Haji); Finanças (Amos Kimunya); Justiça (Martha Wangari Karua); Transporte (Chirau Ali Mwakwere); Educação (Sam Ongeri); Comércio (Uhuru Kenyatta) e Relações Externas (Moses Wetangula) ficaram nas mãos dos partidários de Kibaki.

Além de ministro do Comércio, Uhuru Kenyatta, cujo pai, Jomo Kenyatta, foi responsável pela independência queniana e primeiro presidente do país, passa a ser um dos dois vice-primeiros ministros de Odinga, abandonando assim o Ministério de Administração Local, exigido pela oposição.

Kenyatta será, desta forma, um dos ministros com mais poder e influência do novo Governo queniano, condição imposta para deixar seu cargo na Administração Local. Seu lugar nessa pasta será ocupado pelo número dois do ODM, Musalia Mudavadi, também nomeado vice-primeiro-ministro de Odinga.

O ODM acomodou a sua cúpula nas pastas de Turismo (Najib Balala); Agricultura (William Ruto); Cooperação e Desenvolvimento (Joseph Nyanga); Autoridade Regional (Fred Gumo); Energia (Kiraitu Murungi); Estradas (Kipkalya Kones); Águas (Charity Ngilu); Imigração (Otieno Kajwang) e outros Ministérios considerados de importância menor pelos analistas, como Reflorestamento, Pesca e Serviços Médicos (Anyang Nyong'o).

O porta-voz do ODM, Salim Lone, provável futuro diretor de comunicação do novo primeiro-ministro, declarou à Agência EFE que o resultado é um Governo equilibrado.

"Não parece por escrito, mas sim, obtivemos muito", disse Lone, que se mostrou satisfeito com o que considerou um "lindo exemplo de coalizão".

As ambições dos opositores quanto aos Ministérios de Finanças, Interior e Exteriores ficaram para trás.

"Não importa. Trabalharemos para o povo, não em benefício próprio", afirmou Lone.

Com o novo Governo de coalizão, Kibaki e Odinga puseram um ponto final na crise suscitada por causa do anúncio das eleições gerais em 27 de dezembro.

A Comissão Eleitoral do Quênia declarou Kibaki vitorioso, apesar das acusações de fraude lançadas pela oposição, o que gerou uma onda de violência que se estendeu pelo país, e na qual mais de 1.500 pessoas perderam a vida e outras 400 mil foram deslocadas.

Depois do acordo de reconciliação nacional assinado em 28 de fevereiro na presença do antigo secretário-geral da ONU e mediador do conflito, Kofi Annan, os quenianos tiveram que esperar um mês e meio para ver o nascimento do primeiro Governo de coalizão.

O consenso foi selado ontem entre Kibaki e Odinga, que permaneceram reunidos durante mais de sete horas em um hotel, situado no pé do monte Elgon, ao norte de Nairóbi.

Em seu discurso, realizado antes do anúncio da composição do Executivo, Kibaki agradeceu pela "paciência e tolerância do povo queniano", e prometeu "um trabalho duro e sacrificado do Governo para reconstruir o país".

Afirmou, além disso, que todos os quenianos "terão os mesmos direitos, a começar pelos milhares de deslocados que necessitam de ajuda".

O presidente queniano, que começa seu segundo mandato consecutivo, terá sua primeira oportunidade de apresentar o Governo ao Parlamento na terça-feira.

Dentre as prioridades do novo gabinete estão a solução da crise humanitária dos deslocados assentados no oeste do Quênia, e a reconstrução econômica do país, cuja principal fonte de receitas é o setor turístico, especialmente afetado pelos quatro meses de crises e conflitos políticos e étnicos.

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