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05/05/2008 - 16h46

América Latina quer soluções concretas para a fome

Santiago do Chile, 5 mai (EFE) - Mais de 100 representantes de 30 países da América Latina e do Caribe manifestaram sua esperança em que na conferência sobre desnutrição infantil que começou hoje em Santiago sejam acordadas soluções concretas para o problema, "porque a fome não espera".

"É preciso convencer os Governos a adotar medidas mais ativas para colocar fim a este flagelo", afirmou a diretora-executiva adjunta do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Sheila Sisulu, ao inaugurar a conferência "Rumo à Erradicação da Desnutrição Infantil na América Latina e Caribe", que terminará amanhã.

Ela disse que é necessário que os países da região adotem "decisões sem precedentes" para reduzir o número de 70 milhões de pessoas que sofrerão com a escassez mundial de alimentos e, além disso, com o aumento dos preços.

"Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), neste ano e em 2009 os preços dos alimentos vão permanecer altos e devemos garantir à população mais vulnerável que fique protegida destes impactos", sustentou Sisulu.

Após lembrar que sabe-se que a desnutrição em crianças com menos de três anos tem um impacto em todo o ciclo de vida, Sisulu disse ter esperança de que em reuniões como a de Santiago seja possível ensinar mecanismos que acelerem o combate à desnutrição, "porque a fome não espera ninguém".

Por sua parte, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que o tema que preocupa esta conferência é da maior importância "e, infelizmente, também o de maior gravidade".

"O drama da fome e da insegurança alimentícia em um mundo de riqueza, abundância e avanços científicos não tem comparação", afirmou Insulza, que acrescentou que "é eticamente inadmissível que morram ao redor de 25 mil pessoas a cada dia por causas vinculadas a deficiências nutricionais".

Insulza afirmou que o preço dos alimentos aumentou no mundo todo de forma exagerada, até o ponto em que nos últimos três anos os valores dobraram.

"Esta situação está condenando a se manter ou a voltar à pobreza milhões de pessoas no mundo inteiro, e fará sentir seus efeitos não só nas possibilidades de desenvolvimento de muitos países, mas também em sua estabilidade política e em seu fortalecimento democrático", ressaltou.

Sisulu disse ainda que quando o desespero individual causado pela fome e a incapacidade para fornecer alimentos aos filhos se transforma em um problema coletivo, "pode gerar manifestações de descontentamento social capazes de desestabilizar os Governos dos países afetados".

Insulza parabenizou Josette Sheeran, diretora-executiva do Programa Mundial de Alimentos, por seus esforços para criar consciência na opinião pública sobre a crise alimentícia e para impulsionar os Governos e organismos internacionais a agir para evitar o que pode chegar a ser "uma catástrofe mundial".

A diretora-executiva adjunta do PMA disse que outro compromisso para colocar fim à desnutrição infantil será uma reunião de ministros e altas autoridades de desenvolvimento social que será realizada no Chile, entre 9 e 10 de julho, no âmbito dos fóruns ministeriais da OEA.

Já a ministra de Planejamento do Chile, Paula Quintana, ressaltou as conquistas de seu país na erradicação da desnutrição infantil, assim como na redução da pobreza.

Apesar disso, ela reconheceu que o calcanhar de Aquiles desta nação é a desigualdade, "fator que definitivamente poderia fazer a diferença entre um país que cresce e um que cruze o umbral do desenvolvimento".

Quintana lembrou que a desigualdade se manifesta nos primeiros anos de vida da pessoa, continua com as oportunidades de educação, se aprofunda com as discriminações e se consolida na adversidade.

"Esta vulnerabilidade transcende a população em condições de pobreza e ameaça a população infantil, pessoas com incapacidade; adultos, mães adolescentes, comunidades e pessoas indígenas e também os imigrantes", destacou.

Em geral, os especialistas que participam da reunião coincidiram em que na América Latina e no Caribe os Governos em muitas ocasiões não chegam a conhecer e compreender o alcance total dos custos sociais e econômicos associados à fome e à desnutrição.

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