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07/06/2008 - 05h54

Medvedev culpa EUA pela atual crise financeira mundial

São Petersburgo (Rússia), 7 jun (EFE).- O presidente russo, Dmitri Medvedev, culpou hoje diretamente os Estados Unidos pela crise financeira que sacode a economia mundial, que poderia ser "a mais grave" desde a Grande Depressão de 1929.

"A disparidade entre o papel formal dos EUA no sistema econômico mundial e suas capacidades reais é um dos fatores fundamentais após a atual crise", assegurou Medvedev durante seu discurso no Fórum Econômico de São Petersburgo.

Na opinião de Medvedev, a falta de "prevenção de riscos" por parte das maiores companhias financeiras americanas, somada à "agressiva política financeira" da maior economia mundial, "causou estragos" no mundo todo em 2007.

Infelizmente, acrescentou, "a maior parte da população do mundo tornou-se mais pobre e isso não é só evidente entre os países do terceiro mundo, mas também nas economias mais desenvolvidas".

"É uma ilusão pensar que um só país, inclusive o mais poderoso, pode assumir o papel de Governo global, enquanto as instituições internacionais, encarregadas de responder pela política financeira, quase não dispõem de influência sobre a estratégia dos participantes do mercado", disse.

O presidente russo chamou a atenção sobre o "vazio" existente nas instituições internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional na hora de responder a problemas como "a crise financeira, a alta dos preços dos hidrocarbonetos e a carestia dos produtos de primeira necessidade".

Medvedev propôs a realização na Rússia de uma conferência financeira internacional na qual tomariam parte diretores de empresas, analistas e especialistas de todo o mundo.

"Segundo algumas previsões, a atual crise pode repetir o caso mais grave na história da humanidade, quando uma série de países no espaço de alguns anos viram seu ritmo de crescimento reduzido em mais de 5% ao ano", declarou.

De fato, acrescentou, "para os mercados financeiros o ano 2007 foi um dos mais difíceis das últimas décadas e poderia ser o mais difícil desde a Grande Depressão dos anos 30" do século XX.

Medvedev ressaltou que a Rússia está consciente de sua "responsabilidade" no destino da economia mundial e que deseja "participar da formação das novas regras de jogo, por certo, sem nenhuma ambição imperialista".

Nesse sentido, expôs a aspiração da Rússia de "transformar Moscou em um centro financeiro internacional e o rublo em uma das principais moedas de câmbio da região".

Medvedev se mostrou disposto a contribuir para "estabilizar" o mercado energético com a liberalização do setor de gás nacional e o relaxamento da carga impositiva sobre as petrolíferas.

Quanto aos investimentos russos, o chefe do Kremlin ressaltou que estas não são nem "especulativas" nem "agressivas", enquanto criticou a atitude de alguns países, que descreveu como "nacionalismo ou egoísmo econômico".

Centenas de empresários de todo o mundo participam na 12ª edição do Fórum Econômico realizado na antiga capital dos czares, terra natal de Medvedev e da maioria de dirigentes da Rússia atual, incluindo o primeiro-ministro, Vladimir Putin.

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