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14/06/2008 - 14h46

Convenção socialista na França aposta em mudanças no partido

Paris, 14 jun (EFE) - O Partido Socialista (PS) francês tentou projetar hoje uma imagem de unidade, ao adotar sua Declaração de Princípios e uma reforma de seus estatutos em uma convenção que lança a batalha por seu futuro projeto político e liderança.

Os líderes do primeiro partido opositor na França, incluindo os principais concorrentes à direção da legenda, Ségolène Royal e Bertrand Delanoë, compareceram à Convenção Nacional em Paris, a cinco meses do Congresso da "renovação".

Nesta segunda-feira se abre o prazo, que vai até julho, para a apresentação das "contribuições" ao Congresso de novembro em Reims, que fixará a diretriz política do partido e será crucial para a eleição, dias depois, do sucessor ou sucessora de François Hollande no posto de primeiro-secretário.

Hoje foi um dia de trégua interna, centrado em ataques ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, e à "ofensiva ideológica da direita", e em apelos para "modificar as políticas européias", após o "não" irlandês ao Tratado de Lisboa.

A duas semanas do início da Presidência francesa da União Européia (UE), o líder do PS disse que espera dela "não uma enésima remodelação (do tratado) nem uma regra para saber o que se faz com a Irlanda, mas a reorientação das políticas européias".

Os socialistas também se esforçaram para reduzir suas divisões sobre a Europa, no dia em que foi adotada a declaração de princípios, na qual o PS se define como um partido "europeu", "reformista" e partidário de "uma economia social e ecológica de mercado".

No texto foram eliminadas as referências passadas às "esperanças revolucionárias" e a luta de classes.

A declaração de princípios do século XXI foi adotada por 518 votos a favor, três contra e 17 abstenções.

É "uma resposta à ofensiva da direita", marcada pela "individualização de todas as relações sociais", a "legitimação das desigualdades" e uma "forma de sectarismo" dos espíritos, disse Hollande ao fechar a convenção.

A reforma dos estatutos, que adapta o calendário interno do partido ao das eleições presidenciais francesas -que agora ocorrem a cada cinco anos-, foi referendada por 506 votos a favor, 25 contra e sete abstenções.

Em virtude dessa reforma, o PS realizará dois congressos por qüinqüênio. Um "pelo menos um ano" antes das eleições presidenciais -a eleição do candidato do PS ao Palácio do Eliseu ocorrerá nos três meses seguintes a esse congresso-, e outro no ano que seguirá ao pleito.

Tanto a declaração de princípios quanto a reforma dos estatutos, que encarnariam a "renovação" do PS após várias derrotas eleitorais, tinham sido aprovados por mais de 80% dos militantes que participaram da votação de 29 de maio, marcada por uma baixa mobilização (menos de 45% dos eleitores).

Essa baixa participação traduz, segundo os analistas, o cansaço das bases, após três eleições em 18 meses, incluindo as derrotas nas eleições presidenciais e legislativas de 2007, e as manobras internas frente às eleições do sucessor de Hollande focado na corrida ao Palácio do Eliseu de 2012.

Uma das incógnitas que permaneceu mesmo após a convenção é se o PS optará por um chefe "presidenciável" ou só um chefe de partido.

Royal, a ex-candidata ao Palácio do Eliseu que quer se candidatar às eleições presidenciais de 2012 e lançou oficialmente há um mês a batalha pela sucessão de seu ex-companheiro, apresentará no dia 28 sua contribuição ao Congresso.

Já Delanoë, reeleito prefeito de Paris no pleito municipal de março e que não oficializou ainda sua candidatura à direção do PS, mas que publicou um livro no qual se declara "socialista" e politicamente "liberal", esgotará o prazo para submeter seu texto.

Terceira na disputa nas pesquisas desde sua reeleição à frente da Prefeitura de Lille (norte), a ex-ministra Martine Aubry é vista como uma alternativa pelos que rejeitam o confronto entre os dois supostos "presidenciáveis".

Hollande, que deixará a direção do PS em novembro, mas quer preservar suas possibilidades de voltar em 2012, manobra, dizem, para impedir que as grandes federações regionais se alinhem com algum dos aspirantes.

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