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01/07/2008 - 18h43

Opep atribui 60% do aumento do preço do petróleo à especulação

Madri, 1 jul (EFE).- Os países produtores de petróleo responderam hoje aos argumentos das companhias petrolíferas e atribuíram à especulação financeira, e não a um problema de oferta e procura, a alta do preço do petróleo, que hoje se manteve acima dos US$ 140 por barril.

Em contraste com as afirmações dos diretores das petrolíferas dos países consumidores, o presidente da Opep, Chakib Khelil, disse hoje no 19º Congresso Mundial do Petróleo realizado em Madri, que cerca de 60% da alta do preço do petróleo se deve à especulação dos mercados.

Segundo ele, isso acontece em grande medida devido ao enfraquecimento do dólar gerado pela crise das hipotecas de alto risco (subprime).

Khelil disse ainda que o preço da commodity também varia por razões geopolíticas, que afetam zonas produtoras como o Irã, e por outros aspectos como o desenvolvimento dos biocombustíveis, especialmente do bioetanol.

Para afastar acusações de que existiria uma escassez de oferta, Khelil antecipou também as previsões de investimento dos países da Opep para aumentar sua capacidade de produção para bombear mais quatro milhões de barris diários até 2012.

Khelil acrescentou que, em 2010, a produção do cartel representará 52% da demanda de petróleo mundial, contra 40% atual.

No entanto, Khalil ressaltou que o papel da Opep é "garantir a provisão" e não fixar preços.

Ele ressaltou, além disso, que os altos preços não interessam aos produtores, já que "podem destruir a demanda".

Quanto às projeções das necessidades dos países emergentes, assunto de grande relevância para a evolução futura do mercado petroleiro, o presidente da estatal chinesa CNOOC, Fu Chengyu, reconheceu que seu país necessitará de 20 milhões de barris de petróleo diários nos próximos cinco anos.

Essa quantidade representará 25% da produção mundial atual, que está em torno de 86 milhões de barris por dia.

Apesar deste aumento da demanda, Chengyu ressaltou que o consumo médio per capita de petróleo na China, que deverá ser de cinco barris em 2012, estará ainda muito longe dos 17 barris per capita dos países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O executivo-chefe da empresa francesa Total, Christophe de Margerie, destacou as dificuldades das grandes petrolíferas para chegar às zonas de reservas e indicou que os novos investimentos no mar (off-shore) e outras regiões complexas.

Segundo, ele uma produção da commodity a partir dessas regiões podem demandar um aumento de preços de até 80 dólares por barril para que as vendas dêem lucro para as empresas.

Segundo o diretor da Total, o aumento de preços responde à falta de credibilidade do mercado sobre as possibilidades de dispor de mais petróleo no futuro.

"O mercado não pensa em hoje, pensa a longo prazo. Não misturemos especulação com problemas de perspectivas", comentou.

O executivo-chefe da americana Exxon Mobil, Rex W. Tillerson, destacou o "papel crucial" da tecnologia para aumentar reservas e capacidade, assim como para melhorar a eficiência energética.

Ambos os diretores coincidiram também em destacar a importância do início da recuperação do Iraque, que poderia injetar seis milhões de barris diários, e se mostraram dispostos a participar de novos projetos no país.

No mesmo fórum, o diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), Nobuo Tanaka, assinalou que as tensões atuais no mercado de petróleo poderiam ser reduzidas a partir de 2013 caso os Governos eliminem as subvenções ao consumo e entrem em produção novas jazidas no Brasil, na Rússia e em outras regiões.

Segundo Tanaka, na apresentação das previsões da AIE a médio prazo, este ano e em 2009 a demanda de petróleo diminuirá em relação a suas previsões anteriores devido à má situação da economia mundial, para recuperar-se paulatinamente e alcançar a marca de 94,14 milhões de barris por dia em 2013.

Sobre as causas do aumento do petróleo, a AIE considera que o elevado preço é fruto dos fundamentos do mercado, ou seja, da relação entre oferta e procura e questões relacionadas com eventuais cortes na provisão.

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