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20/07/2008 - 09h22

Camboja acusa Tailândia de invadir templo disputado pelos dois países

Jordi Calvet Phnom Penh, 20 jul (EFE).- O Camboja enviou hoje uma queixa formal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas pela invasão de seu território por parte da Tailândia, em uma área fronteiriça onde os dois países disputam a soberania de um templo milenar.

No entanto, o ministro da Informação cambojano, Khieu Kanharith, destacou que o país não deseja uma intervenção militar, mas que a ONU obrigue a Tailândia a retirar da fronteira os mais de 500 soldados desdobrados ali há dias.

O Governo tailandês anunciou em Bangcoc que estudará a denúncia antes de decidir como responder perante a ONU e pediu calma para conseguir uma solução negociada para o conflito pela titularidade da região onde está situado o complexo religioso de Preah Vihear, datado do século XI.

No início da semana, três manifestantes tailandeses cruzaram ao país vizinho para reivindicar a soberania do templo, recentemente declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Os ativistas foram expulsos imediatamente por soldados cambojanos, o que motivou o envio em massa de tropas ao local por parte dos dois Governos, cujas relações poderiam estar prestes a serem rompidas.

Além disso, a crise acontece quando o Executivo tailandês passa por um momento de extremo enfraquecimento, por causa do assédio da oposição, e a uma semana de o Camboja realizar eleições gerais.

A Tailândia enviou soldados a uma encosta montanhosa próxima às ruínas para bloquear o acesso ao local, enquanto o Camboja reforçou o contingente de mil soldados com policiais antidistúrbios preparados para dispersar qualquer protesto de manifestantes tailandeses que cruzarem a fronteira.

Até o momento, não houve troca de tiros, mas os generais dos dois países não descartam um confronto caso a tensão aumente.

O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, afirma que a escalada da presença militar cambojana deteriorou a situação, e pediu que o assunto seja resolvido por meio do diálogo.

Já o premiê do Camboja, Hun Sen, exige a retirada imediata dos soldados tailandeses e denuncia que entraram ilegalmente em solo cambojano.

Altos funcionários dos dois países devem se encontrar amanhã para solucionar a disputa, que causou o temor de que se repita a violência ocorrida em 2003.

Naquela ocasião, milhares de cambojanos atacaram e incendiaram a Embaixada da Tailândia e sedes de empresas tailandesas depois que o Governo cambojano se sentiu ofendido por comentários publicados na imprensa tailandesa sobre o templo de Angkor Watt, símbolo do Camboja e que faz parte da insígnia nacional.

Tailândia e Camboja lutam há décadas pela soberania do templo do reino khmer, datado do século XI e há duas semanas declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, apesar dos protestos de Bangcoc.

Em 1962, a Corte Internacional de Justiça de Haia determinou que o terreno sobre o qual fica o recinto religioso do antigo reino khmer pertence ao Camboja, mas a Tailândia se recusa a aceitar essa sentença.

Um mês atrás, o então ministro de Assuntos Exteriores tailandês, Noppadom Pattama, tentou chegar a um acordo com o Camboja para encerrar a disputa, mas o pacto foi rejeitado pela oposição e pelo Tribunal Constitucional, que o anulou porque o chanceler não tinha consultado previamente o Parlamento.

A decisão judicial obrigou à renúncia de Pattama, acusado de ter entregado parte do território nacional ao país vizinho em troca de concessões econômicas ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, seu antigo cliente como advogado.

As ruínas de Preah Vihear são visitadas todos os anos por dezenas de milhares de turistas tailandeses e estrangeiros, e espera-se que o número aumente após o reconhecimento do valor histórico do templo pela Unesco.

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