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19/08/2008 - 17h24

ONU lembra 5 anos de atentado que matou Sérgio Vieira de Mello

Nações Unidas, 19 ago (EFE) - A ONU lembrou hoje em cerimônia solene os 22 mortos no ataque contra sua sede em Bagdá há cinco anos, considerado o pior atentado sofrido pela organização e a confirmação de que a bandeira azul das Nações Unidas se transformou em alvo do terrorismo.

O ato liderado pelo secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, foi celebrado na sala da Assembléia Geral, onde se exibe a bandeira que foi recuperada entre os destroços do Hotel Canal, o edifício que abrigava a sede das Nações Unidas na capital iraquiana em 19 de agosto de 2003.

Entre os mortos do atentado desse dia se encontrava o enviado especial da ONU para o Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que sobreviveu à explosão inicial, mas faleceu três horas depois nos escombros do edifício.

"Foram heróis que enfrentaram o perigo para ajudar os mais necessitados e realizaram seu trabalho no mais nobre dos sentidos.

Choramos suas trágicas mortes, mas nos reconforta sua coragem e que seu legado perdure", declarou Ban durante a cerimônia.

Centenas de funcionários da organização assistiram ao ato, entre eles parentes de vítimas do atentado e diplomatas, como o embaixador do Iraque na ONU, Hamid al-Bayati.

O quarteto Daedalus estreou uma peça do músico americano Steve Heitzeg, intitulada "Songs Without Borders" (Canções sem Fronteiras), composta especialmente para a ocasião.

A obra, de 15 minutos de duração, presta homenagem à declaração dos direitos humanos e ao crescente número de mortos a serviço dos ideais das Nações Unidas.

Após os atentados em Bagdá, a organização viu um aumento do número de ataques contra suas agências e programas nas regiões mais conflituosas do planeta.

As agressões contra a ONU custaram a vida de 42 de seus empregados civis em 2007, entre eles os 17 mortos no atentado de dezembro passado contra sua sede em Argel (Argélia).

"A cada dia estamos pensando em como podemos nos assegurar de que nosso pessoal trabalha nas melhores condições possíveis", declarou Ban.

Ao mesmo tempo, disse que a segurança vai além dos "vidros blindados" e que a organização deve continuar mostrando "porque a ONU é importante e seu papel imparcial e objetivo que desempenha em todos os lugares onde opera".

O secretário-geral da ONU lembrou na conclusão da comissão interna que investigou o atentado de Argel que a segurança total não é alcançável, mas que constantemente novas medidas devem ser tomadas.

O relatório da comissão, liderada pelo diplomata argelino Lakhdar Brahimi, causou, em junho passado, a renúncia do principal responsável pela segurança da ONU, David Veness.

Segundo o documento de 103 páginas, "a ONU é alvo de terroristas pelo que é e pelo que representa" para grupos extremistas que a identificam como um instrumento ocidental.

Durante seu discurso na homenagem, o presidente do sindicato de empregados da ONU, Stephen Kisambira, pediu para que os funcionários da organização não abdiquem de suas responsabilidades perante países anfitriões de missões das Nações Unidas que não oferecem proteção a eles.

"O mundo se transformou em um lugar muito mais perigoso, no qual a neutralidade das Nações Unidas é cada vez menos respeitada", acrescentou.

A jornalista Samantha Power, autora de "O Homem Que Queria Salvar o Mundo", uma biografia de Vieira de Mello, assegura hoje em uma coluna no jornal "The New York Times" que o atentado em Bagdá é considerado por muitos dentro da ONU como o 11 de setembro da organização.

"O atentado em Bagdá demonstrou que as Nações Unidas e as organizações humanitárias passaram de uma situação nos (anos) 1990 na qual suas bandeiras talvez não lhes garantissem proteção, a outra em que se transformaram em alvos diretos da Al Qaeda e de outros extremistas", diz.

Ela acrescenta que os 192 membros da organização devem se assegurar de que as missões da ONU contam com sistemas de segurança adequados e estarem dispostos a retirá-las dos países que não ofereçam uma suficiente colaboração nesta matéria.

Power lembra que o relatório elaborado após o atentado da Argélia revela problemas vinculados às limitações financeiras e à falta de coordenação interna em matéria de segurança, similares aos denunciados após o ataque ao Hotel Canal.

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