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27/09/2008 - 10h06

Ceticismo marca eleições antecipadas após ruptura de coalizão na Áustria

Viena, 27 set (EFE).- O ceticismo e a desconfiança nos partidos políticos tradicionais, fatores que fortalecem a direita ultranacionalista, marcam as eleições antecipadas de amanhã na Áustria.

O pleito se destaca, por um lado, pelo retorno ao cenário nacional do populista Jörg Haider, atual chefe de Governo da província de Caríntia (sul), e, por outro, pela "estréia européia" de diminuição da idade eleitoral para 16 anos.

No total, 6,3 milhões de austríacos estão aptos a comparecer às urnas para escolher um novo Governo e Parlamento, depois da ruptura da coalizão entre o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular Austríaco (ÖVP), cuja legislatura durou pouco mais de um ano e meio caracterizada por uma paralisação generalizada da gestão governamental.

Desta forma, espera-se que os eleitores passem fatura a esses dois grandes partidos tradicionais - que como "grande coalizão" governaram por décadas no século 20 - devido ao atual fracasso em temas como a reforma do sistema de saúde, aposentadoria, política fiscal e o crescente encarecimento dos alimentos e da energia.

Tal descontentamento lembra a situação propiciada pela ascensão de Haider ao poder em 2000, com uma onda de protestos internacionais.

Segundo as últimas pesquisas, o SPÖ, ganhador em 2006 com 35,7% dos votos, cairia para 29%. Vale lembrar ainda que a legenda mudou recentemente, e de forma inteligente, de líder, o chanceler Alfred Gusenbauer, pelo mais carismático e populista Werner Faymann.

Faymann, que é ministro da Infra-estrutura, promete voltar às raízes com uma política mais social e medidas como o rebaixamento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) sobre alimentos básicos.

"Provavelmente, o SPÖ obterá o pior resultado de sua história, mas se sentirá vencedor porque o ÖVP ficará ainda mais frágil", previu o analista político local Anton Pelinka em entrevista à Agência Efe.

Isso porque, para o ÖVP do vice-chanceler e ministro das Finanças Wilhelm Molterer, é esperada uma queda de 34% para 26% dos votos.

Após meses de tensões e crises internas na coalizão, a gota d'água foi uma promessa do SPÖ de realizar no futuro referendos para aprovar novos tratados na União Européia (UE), uma reviravolta em sua política para o bloco comunitário.

A idéia levou ao anúncio de ruptura do Governo por parte de Molterer, em 7 de julho.

Em seguida, os dois partidos se lançaram à reconquista de votos prometendo tudo o que descumpriram em dois anos, e de repente parecem ter encontrado o caminho para superar algumas de suas antigas discórdias.

A conseqüência é que há mais de 30% de indecisos, e todos temem um aumento da abstenção.

Também persistem preocupações quanto a votos de protesto, que poderiam alavancar legendas populistas e nacionalistas de direita como o Partido Liberal da Áustria (FPÖ), de Heinz-Christian Strache, e a Aliança pelo Futuro da Áustria (BZÖ), de Haider.

As pesquisas são unânimes ao prever que o FPÖ se transformará na terceira maior força política do país, com apoio de até 20% dos eleitores, contra os 11% obtidos em 2006. Da mesma forma, o BZÖ deve duplicar seus votos, para 8% do total.

O Bloco Verde (DG), também opositor, ficaria relegado ao quarto posto, com 11%, mesma porcentagem que a obtida em 2006. E a única mulher candidata à chefia de Governo, Heide Schmidt, luta para que seu Fórum Liberal (LIF) obtenha pelo menos os 4% exigidos para que se tenha acesso ao Parlamento.

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