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22/10/2008 - 13h59

ONG diz que reserva indígena no Mato Grosso do Sul tem "situação crítica"

Madri, 22 out (EFE).- Cerca de 11 mil índios vivem em uma reserva indígena no Mato Grosso do Sul onde cabem apenas 300, pois a selva onde vivem "está sendo devastada com grande velocidade para criar fazendas de gado e plantações de soja e cana-de-açúcar", afirma a ONG Survival International no relatório "O progresso pode matar".

A ONG ressalta que o progresso entendido em termos ocidentais "não traz uma vida longa e feliz" aos povos indígenas, mas uma "existência curta e desoladora, com a morte como uma única escapatória".

O documento foi apresentado hoje na Casa de América, em Madri, por Miguel Ángel del Ser, diretor de imprensa da Survival International, que esclareceu que a organização não é contra o conceito de desenvolvimento, mas que seja imposto aos povos indígenas.

Segundo a Survival International, o "progresso" também se traduz em fome, tanto que na região do rio Iguaçu, tanto do lado brasileiro quanto do argentino, milhares de crianças estão morrendo de fome, pois a selva onde vivem está sendo devastada.

Em 2005, diz o relatório da Survival International, a maioria das crianças guarani mbyá que viviam do lado argentino do Iguaçu sofria de desnutrição, e 20 crianças morreram de inanição em apenas três meses no ano seguinte.

"O progresso e o desenvolvimento impostos matam, marginalizam e fazem adoecer milhares de indígenas de todo o mundo, vítimas de um sistema econômico depredador de seus recursos naturais e insensível à existência de outros modelos de vida", diz.

Del Ser destacou dois dados do relatório: 90% dos indígenas americanos morreram após o contato com os europeus por doenças ou por uma pura política de extermínio e que nas ilhas Andaman, (no Oceano Índico), há apenas 53 indígenas de uma população que superava 6,7 mil quando os britânicos chegaram, no século XIX.

A maioria foi vítima de sarampo, e um contato forçado com o "homem branco", que é portador de outras doenças, como a Aids.

Assim, comunidades como os papuas, que vivem na região de Papua Nova Guiné invadida pelos indonésios, apresentam taxa de infecção do vírus da Aids 15 vezes superior ao do resto da população.

Outro efeito trágico derivado do deslocamento forçoso dessas populações é "a destruição de sua cultura, seus meios econômicos e seu sentido de como viver nesse mundo, o que os leva ao suicídio".

A alienação e a falta de esperança também conduzem os indígenas às drogas, normalmente para as mais baratas como o álcool, diz o relatório, que alerta para os índices de bebês que nascem com síndrome alcoólica fetal e do consumo entre menores.

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