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14/11/2008 - 18h58

Congresso socialismo francês desponta como batalha Royal e resto correntes

(atualiza com o anúncio que Royal será candidata) Paris, 14 nov (EFE).- O Partido Socialista (PS) francês abriu hoje em Reims (nordeste) seu 75º Congresso, que deverá designar o sucessor de François Hollande à frente da legenda, o que desponta como uma batalha entre a ex-candidata presidencial Ségòlene Royal e o resto das correntes internas do partido.

Os prefeitos de Paris, Bertrand Delanoe, e de Lille, Martine Aubry, além do representante da ala esquerda do partido Benoit Hamon, liderados pelo resto dos movimentos internos, que protagonizaram nos últimos dias processos de distanciamento da ex-candidata, que hoje anunciou que concorrerá à direção do PS.

Royal, presidente da região de Poitot-Charentes, encarna a corrente melhor representada no Congresso, já que seu projeto político foi o mais apoiado pelos militantes no último dia 6, quando obteve 29% dos votos.

A ex-candidata presidencial informou, no final da tarde de hoje, que vai concorrer à direção do PS, anúncio realizado através de um porta-voz e depois de se reunir com seus principais aliados.

Pragmática ideologicamente, Royal é a que mais mudanças propõe no partido, que pretende transformar em uma máquina forte capaz de enfrentar nas eleições presidenciais de 2012 o conservador Nicolas Sarkozy.

Delanoe ficou em segundo com 25,2% dos votos, apesar de contar com o apoio do primeiro-secretário e de boa parte da atual direção, que o considera o candidato da continuidade.

Aubry, que reúne em sua candidatura correntes lideradas no passado pelo ex-primeiro-ministro Laurent Fabius e pelo atual diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, obteve 24,3% dos votos, na frente de Hamon (18,4%), que representa a asa mais esquerdista da legenda.

Royal deu há poucos dias o primeiro passo para formar uma candidatura única em torno de seu projeto político, mas o resto dos líderes não parecem dispostos a segui-la.

Aubry e Hamon a consideram pouco progressista e expressaram sua rejeição de forma pública, ao mesmo tempo que começaram a agir para formar uma frente anti-Royal.

"Acho que a concepção do PS de Royal não é compartilhada pela maioria", assegurou Fabius, que pediu a união das outras três correntes para deter o avanço da ex-candidata à Presidência.

Mais ambíguo aparece o entorno de Delanoe, que mistura personalidades abertas a um pacto com Royal e outras hostis a ela.

O próprio prefeito de Paris se esforçou nos últimos dias em se distanciar com a antiga aspirante ao Palácio do Eliseu.

Entre os principais pontos de divergência está o desejo de Royal de fazer do PS "um grande partido democrático, popular e de mobilização social", o que implica abri-lo a uma militância ampla, para o qual preconiza uma redução das cotas de afiliação.

Delanoe discorda, aposta em manter o PS como "uma vanguarda" de esquerda e não compartilha a idéia de Royal de abrir a porta a alianças com legendas de centro, como o MoDem de François Bayrou.

Delanoe, Aubry e Hamon se reuniram hoje em Paris horas antes de viajar para Reims, o que faz pensar que os esforços para elaborar uma frente de oposição à ex-candidata presidencial continuam.

Não é a primeira vez que Royal é freada por seu partido. No ano passado se queixou da falta de apoio do aparelho do PS durante a campanha que perdeu contra o conservador Sarkozy.

A presidente de Poitot-Charentes conseguiu então se tornar a candidata socialista ao Palácio do Eliseu em processo de primárias no qual venceu Fabius e Strauss-Kahn, mas não teve o apoio de muitos líderes socialistas em sua corrida para se transformar na primeira mulher a chegar ao Palácio do Eliseu.

O Congresso de Reims - composto por 631 delegados divididos em função do apoio conseguido por cada corrente - deverá designar a chamada "comissão de resoluções", integrada por 102 membros e encarregada de elaborar um texto de síntese entre todas as correntes.

No caso de não haver acordo, os delegados escolherão uma, que virá acompanhada de um Conselho Nacional, principal órgão de direção do partido.

A escolha do primeiro-secretário é separada deste processo e acontece no próximo dia 20 por voto direto dos militantes.

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