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05/01/2009 - 19h51

Fome, sede e escuridão castigam uma Gaza arrasada pelo fogo israelense

Ana Cárdenes.

Jerusalém, 5 jan (EFE).- A situação humanitária é dramática na Faixa de Gaza, atacada sem intervalo há dez dias pelo fogo israelense e onde mais de um milhão de pessoas estão sem água ou eletricidade há 48 horas.

"Não há serviços públicos, nem água, nem eletricidade, nem pão, nem alimentos básicos. Os telefones não funcionam, a vida está paralisada, ninguém trabalha, e faltam remédios; o que mais é preciso para reconhecer que há um desastre humanitário?", disse hoje à Agência Efe por telefone desde Gaza Hayat Abu Shamaleh, porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA).

Cinco das oito linhas que fornecem eletricidade à faixa vindo de Israel e do Egito foram destruídas pelos ataques israelenses, que também inutilizaram a única central elétrica desse território palestino, o que lhe deixou sem 75% da provisão de energia que precisa.

Além disso, a imensa maioria de poços funciona com bombas a motor, e por isso sem eletricidade não há água.

A divisão da faixa em três partes sem comunicação pelas forças invasoras israelenses faz com seja "extremamente perigosa" a passagem de um lado a outro, o que dificulta o trabalho das agências humanitárias, incapazes de chegar aos mais de um milhão de pessoas que dependem delas para sobreviver.

"Não são 'somente' os 80% (mais pobres) da população que dependem de ajuda; os demais também não estão bem, porque embora tenham dinheiro não conseguem comprar nada: as lojas estão fechadas, os moinhos não funcionam e cada vez falta mais farinha, usada para fazer pão, que é a base da dieta aqui. Também não há açúcar nem azeite", explica Shamaleh.

Os prejuízos provocados pela invasão israelense são "enormes", e os tanques e tropas avançam deixando para trás estradas repletas de buracos e ruas cheias de escombros.

A UNRWA instalou onze refúgios onde começam a chegar os primeiros deslocados pelo conflito, que já superam os 5.000 e que, segundo Shamaleh, "não param de aumentar com o passar das horas".

"Temos abrigo para mais de 40.000 pessoas, mas atualmente não poderíamos fornecer alimento a todos (...) Muitas famílias já não podem ter três refeições por dia", admite.

O porta-voz da ONU afirmou ainda que a situação só não está pior em Gaza porque todos compartilham o que têm.

E além de toda a dificuldade da situação, há os mortos. Desde o início da invasão por terra no sábado passado, a maioria dos quase 100 mortos é formada por mulheres e crianças, segundo um relatório distribuído hoje pelo escritório de Coordenação Humanitária da ONU, que assinala que "entre as vítimas fatais há famílias inteiras".

Hoje de manhã, sete membros de uma mesma família morreram quando sua casa no campo de refugiados de Shati foi atingida por um projétil lançado por um navio de guerra israelense desde a costa mediterrânea de Gaza.

No domingo, uma bomba lançada contra o principal mercado da Cidade de Gaza matou cinco pessoas e feriu outras 40, quando tentavam conseguir alimentos para permanecer trancafiados em suas casas com suas famílias no período da invasão.

A ofensiva que Israel lançou contra a faixa no dia 27 de dezembro já deixou 534 palestinos mortos e cerca de 2.500 feridos, assinala a ONU.

A situação mais dramática é vivida nos hospitais, e alguns deles tentam se manter funcionando com um pessoal exausto e cortes de eletricidade de até 24 horas.

"Dependemos dos geradores, e eles podem parar a qualquer momento, porque não há combustível", disse também de Gaza à Efe Hassan Khalaf, o diretor-geral do hospital Shifa, o principal da faixa.

O território também sofre com a falta de 105 tipos de medicamentos, além de 247 tipos de aparelhos médicos e cirúrgicos. Não há nem mesmo sacos de cadáveres para todas as vítimas do conflito.

Israel deixou passar hoje um caminhão com ajuda humanitária e 200.000 litros de combustível, mas o fornecimento não chegou ao outro lado em função dos incessantes ataques do Exército israelense.

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