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04/03/2009 - 12h23

Dezenas de milhares de pessoas pedem renúncia do Governo em Manama

Mazen Mahdi.

Manama, 4 mar (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas protestaram nesta sexta-feira em Manama para pedir a renúncia do Governo, após os confrontos registrados nesta quinta-feira à noite entre xiitas e sunitas no sul da capital terem deixado oito feridos.

Pelo menos 80 mil pessoas saíram às ruas da capital em resposta à convocação da oposição, segundo foi constatado pela Agência Efe.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como "O povo quer a queda do regime" e pediu paz ao longo da passeata, que se deslocou da antiga sede do Conselho de Ministros até a emblemática praça Lulu (pérola, em árabe), epicentro dos protestos.

A manifestação passou pela frente do coração financeiro do Bahrein, sede de algumas das principais instituições financeiras presentes na ilha.

Durante o protesto, os manifestantes pediram uma nova Constituição que substitua a promulgada em 2002.

Essa é uma das exigências dos seis principais grupos opositores, que nesta quinta-feira publicaram uma carta dirigida ao príncipe herdeiro do Bahrein, xeque Salman bin Hamad al-Khalifa, para iniciar um diálogo nacional.

Outras de suas reivindicações para iniciar as conversas são que o Governo atual renuncie e seja eleito um novo nas urnas; que o poder legislativo seja exercido por um Parlamento votado pelo povo e que os presos políticos sejam libertados.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, os organizadores da manifestação, batizada como "Dia da Queda do Governo", declararam que decidiram sair às ruas para denunciar o Executivo "ditatorial, injusto e corrupto".

Na nota, nove grupos opositores, entre eles o Al Wifaq, principal partido da oposição, enumeraram 12 motivos pelos quais consideram que o Gabinete atual não é válido.

Entre essas razões incluíram as violações dos direitos humanos desde a década de 1970, o enriquecimento ilícito das autoridades, a ocultação das despesas da família real e a discriminação de cidadãos.

Além do ato na praça Lulu, outros milhares de opositores se manifestaram diante do edifício da rede de televisão estatal "BTV" em Manama, para protestar pelo que descrevem como manipulação e cobertura insatisfatória das revoltas nos meios de comunicação locais.

Os protestos acontecem após enfrentamentos terem ocorrido nesta quinta-feira à noite entre membros da comunidade xiita, majoritária no país, e árabes sunitas, procedentes da Síria e Jordânia, na localidade de Hamad, no sul da capital, nos quais foram empregados espadas, pás, martelos e paus, que tiveram saldo de oito feridos, segundo foi comprovado pela Efe.

A região de Hamad se encontra nesta sexta-feira cercada pela Polícia para impedir que os fatos se repitam.

A oposição se queixa que o Governo concedeu a cidadania aos árabes sunitas nascidos em outros países para alterar a situação demográfica do reino, onde 70% da população é xiita, enquanto a minoria governante é sunita.

De fato, no comunicado da marcha desta sexta-feira, os grupos opositores se queixaram de que "o Governo destruiu a coesão social com operações para conceder a nacionalidade (barenita) de forma ampla com efeitos destrutivos", relatando que entre 2001 e 2007 as autoridades concederam nacionalidade a 60 mil estrangeiros.

Em uma tentativa de sufocar os protestos populares, iniciados em 14 de fevereiro, o rei do Bahrein, Hamad bin Issa al-Khalifa, remodelou o Governo no último fim de semana, o que implicou na saída de algumas figuras controversas e a atribuição de novas funções a ministros que já faziam parte do gabinete.

No entanto, esta reforma ministerial foi qualificada como insuficiente pela oposição, que pede uma renúncia em bloco do Governo antes de participar do diálogo nacional proposto pelas autoridades.

O Bahrein é um pequeno país do Golfo Pérsico, de 727 quilômetros quadrados e apenas um milhão de habitantes, a metade deles estrangeiros.

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