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25/04/2009 - 10h19

Miss Califórnia reacende polêmica sobre casamento gay nos EUA

Fernando Mexía.

Los Angeles (EUA), 25 abr (EFE).- Hostilizada por uns e aplaudida por outros, a atual Miss Califórnia, Carrie Prejean, transformou-se no centro dos debates sobre o casamento gay nos Estados Unidos depois que os rejeitou quando concorria ao título de Miss EUA.

"O casamento deveria ser algo entre um homem e uma mulher", disse Carrie "sem intenção de ofender", respondendo a uma pergunta do blogueiro Perez Hilton, abertamente homossexual e jurado no concurso de beleza, domingo em Las Vegas, no estado de Nevada.

O testemunho da Miss Califórnia foi recebido com uma ovação por parte do público presente, embora segundo os analistas tenha lhe custado a vitória no concurso de Miss Estados Unidos, no qual ficou em segundo lugar, perdendo para a Miss Carolina do Norte, Kristen Dalton.

"Ela deu a pior resposta da história em um concurso de beleza. Perdeu porque é uma 'puta' tola", disse Hilton através de um vídeo na internet no qual afirmou que, se ela tivesse ganhado, ele mesmo lhe teria arrancado a coroa da cabeça.

A polêmica correu como a pólvora na web onde as palavras de Carrie foram vistas cerca de 1,5 milhão de vezes no YouTube, e o tema "Miss Califórnia" é o segundo mais comentado na rede social Twitter, superado apenas pela cantora Susan Boyle, fenômeno da televisão britânica.

A popularidade de Carrie Prejean chegou ao ponto de ela própria reconhecer que se sentiu como se tivesse vencido o concurso, em vista do interesse midiático despertado, que ofuscou a vencedora Kristen Dalton.

Em entrevista posterior, a bela californiana disse que rezava por Hilton e que sentia "pena" dele.

"Ele me perguntou o que pensava e eu respondi honestamente", explicou Carrie, acrescentando que está recebendo muitas demonstrações de apoio e alguns poucos gestos de ódio.

A Miss Califórnia comentou que teria gostado de saber o que Kristen teria dito caso respondesse diretamente a questão lançada por Hilton, da qual ela se esquivou.

"Não vou dizer se penso que (as uniões gays) deveriam ou não se definir como casamento, isso é algo que corresponde a nossos políticos", afirmou a nova Miss Estados Unidos.

O escândalo do concurso de beleza obrigou inclusive o magnata Donald Trump, proprietário da franquia do concurso, a sair em defesa de Carrie, em declarações à emissora da televisão "Fox".

"A Miss Califórnia fez um trabalho maravilhoso, essa era sua crença... Não foi uma má resposta", afirmou Trump para quem ela teve "um pouco de azar" já que, respondesse o que respondesse, à pergunta de Hilton "iriam carregar (na repercussão)".

O comentário de Carrie representou um golpe para as organizações e movimentos favoráveis à igualdade de direitos de gays e lésbicas nos EUA, alguns dos quais se apressaram em tomar parte do assunto.

É o caso do "Equality California", cujo diretor-executivo, Geoff Kors, enviou uma carta a Carrie convidando-a a conhecer sua família e "dialogar sobre quem somos e como nos afeta a discriminação", disse.

"No fim, espero que ela se dê conta de que o que ela diz como Miss Califórnia pode tanto nos ferir quanto nos ofender como unir. Ela pode mudar as coisas, espero que o faça", acrescentou Kors.

No Alabama, entretanto, Carrie transformou-se, para muitos, em um exemplo a seguir e um de seus deputados do Partido Republicano apresentou uma minuta de resolução em seu Parlamento para que o Governo deste estado emita um comunicado de apoio ao testemunho dela.

As declarações de Carrie tiveram repercussão especial, porém, para a comunidade gay de seu estado, a Califórnia, que vive uma batalha legal entre grupos favoráveis e contrários à legalização dos casamentos homossexuais, permitidos por vários meses em 2008, até serem rejeitados por um plebiscito, em 4 de novembro.

Atualmente somente quatro estados americanos -Vermont, Massachusetts, Connecticut e Iowa- reconhecem os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

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