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30/04/2009 - 21h32

EUA advertem de aumento do terrorismo no Paquistão

Washington, 30 abr (EFE).- O número de mortos por causa do terrorismo caiu 30% no ano passado, principalmente pela diminuição da violência no Iraque, embora no Paquistão os sinais de alarme tenham disparado, segundo disse hoje o Governo dos Estados Unidos.

O Departamento de Estado americano divulgou hoje o relatório anual sobre terrorismo, no qual manteve na lista de países patrocinadores destes atos nações como Sudão, Síria, Cuba e, especialmente, Irã.

Sobre esse último país, o departamento disse ser o "mais ativo" de todos eles, pelo apoio ao grupo libanês Hisbolá, ao palestino Hamas, a organizações xiitas iraquianas e aos talibãs afegãos.

Estar na "lista negra" abre espaço a sanções para esses países, como a proibição de que os Estados Unidos vendam armas ou forneçam ajuda econômica a essas nações.

Os Estados Unidos retiraram a Coreia do Norte dessa lista em 11 de outubro de 2008, após alcançar um acordo verbal com o país para colocar fim ao programa nuclear norte-coreano.

No entanto, os EUA cogitam qualificar essa nação e a Venezuela como países que não cooperam plenamente na luta contra o terrorismo.

Essa designação acarreta sanções de menor nível, como a proibição de que empresas americanas vendam tecnologia civil que poderia ser usada com fins militares ou terroristas, disse à Agência Efe Rhonda Shore, coordenadora do relatório do Departamento de Estado americano.

Este é o primeiro estudo desse tipo realizado sob o comando do Governo de Barack Obama, que repetiu várias acusações usadas pela Administração de George W. Bush no relatório do ano passado.

O relatório faz uma estimativa da força do terrorismo no mundo, com base nos ataques cometidos.

De acordo com os dados do departamento, mais de 15.700 pessoas morreram em atentados em 2008, um número que pode parecer muito alto, mas que, na realidade, representa uma redução substancial em comparação com os 22.500 de 2007.

O Departamento de Estado americano atribuiu isso à redução dos ataques no Iraque no ano passado, um fator que também explica a queda de 20% no número de atentados suicidas no mundo.

Os números não refletem, no entanto, a intensificação da violência no Iraque nas últimas semanas.

O enfraquecimento da Al Qaeda no Iraque, que perdeu força pelas deserções e pelo fim das fontes de financiamento e apoio do grupo, é uma das razões que levam os Estados Unidos a concluir que a rede terrorista perde terreno.

Mesmo assim, a organização encontrou nas regiões tribais do Paquistão, onde a presença do Estado é muito pequena, um refúgio semelhante ao que teve no Afeganistão até 2001, segundo os EUA.

A Al Qaeda restabeleceu certo controle central das operações, em particular em torno do egípcio Ayman al-Zawahiri, um dos líderes da organização, e substituiu alguns dirigentes capturados ou falecidos, de acordo com os Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, os talibãs afegãos se movimentaram em direção a oeste, também para aproveitar o vazio de poder da zona fronteiriça.

Como consequência, os atentados aumentaram quatro vezes no Paquistão em dois anos, até superar os 1.800 em 2008, segundo disse em entrevista coletiva Russell Travers, o encarregado de coletar os dados.

No Paquistão, "a ameaça escalou. Estamos profundamente preocupados", afirmou Ronald Schlicher, coordenador interino de contra-terrorismo do Departamento de Estado americano.

O estudo destaca que, em 2008, os talibãs receberam mais dinheiro do tráfico de drogas e de fontes no Golfo Pérsico, o que elevou sua capacidade de luta.

Os talibãs "controlam partes do Afeganistão e do Paquistão, e ameaçam a estabilidade da região", alertou o Departamento de Estado americano.

Enquanto isso, no continente americano, os Estados Unidos criticaram particularmente Cuba por abrigar membros da organização espanhola ETA e das colombianas Forças Aramadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN).

Após a publicação do relatório, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que os Estados Unidos não têm "autoridade moral" para certificar condutas, porque é um "delinquente internacional".

Schlicher também criticou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, por elogiar as Farc. "Achamos que é algo extremamente problemático sair por aí elogiando uma organização terrorista estrangeira", disse.

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