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22/05/2009 - 16h00

Começa campanha eleitoral no Irã, com apelo ao voto em massa

Javier Martín.

Teerã, 22 mai (EFE).- A campanha eleitoral para as eleições presidenciais iranianas do dia 12 de junho começa hoje com um apelo dos ex-presidentes do país a uma participação em massa.

O ex-líder reformista Mohamad Khatami (1997-2005) e seu antecessor, o pragmático Ali Akbar Rafsanjani (1989-1997), são os encarregados de iniciar a campanha em uma corrida às urnas marcada pela agitada situação econômica e política atravessada pelo país.

A crise que plana sobre o Irã e o desconcerto gerado pela estratégia de conciliação defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, despontam como os principais temas da campanha.

O atual presidente, o conservador Mahmoud Ahmadinejad, o ex-primeiro-ministro Mir Hussein Mousavi, e o ex-presidente do Parlamento, Mahdi Karroubi, um experiente clérigo de ideias de abertura que já fracassou em eleições precedentes são os principais candidatos às eleições do dia 12 de junho.

Mousavi, que conta com o apoio de Khatami e é, segundo os analistas, o que maiores possibilidades tem de desbancar Ahmadinejad, desfruta de uma imagem de bom gerente, conquistada durante os duros anos da guerra com o Iraque (1980-1988), nos quais dirigiu o Governo.

Karroubi é, por sua parte, é um clérigo atípico, formado nos melhores seminários religiosos mas dedicado à política desde os dias prévios à revolução, nos quais acompanhou o fundador da República Islâmica, o aiatolá Khomeini.

Homem de verbo direto, não duvidou em denunciar uma suposta fraude nas eleições de 2005, nas quais com quase cinco milhões de votos não conseguiu passar do primeiro turno e disputar a Presidência com o inesperado Ahmadinejad.

Desde que em dezembro do ano passado anunciou seu desejo de voltar a concorrer, não parou de afirmar que as possíveis irregularidades na apuração são uma de suas principais preocupações.

Com menos opções aparece o conservador moderado Mohsen Rezaei, secretário-geral do influente Conselho de Determinação ou Discernimento e ex-comandante chefe durante 16 anos do Corpo de elite dos Guardiães da Revolução.

"Em um país como o Irã, no qual a política é uma sucessão de escorregadores, é muito complicado fazer prognósticos. Tudo aponta para a vitória de Ahmadinejad, mas também ninguém esperava que Khatami ganhasse em 1997", advertiu à Efe um conhecido jornalista iraniano a serviço da "BBC".

O presidente larga com vantagem, já que tem de seu lado uma grande parte do setor mais duro do aparelho do Estado, assim como de uma parte do Exército.

Além disso, conta com o entusiasmo dos grupos de voluntários islâmicos "Basij", perfeitamente organizados e com grande capacidade de mobilização, das zonas rurais e das classes mais desfavorecidas.

A seu favor também está o fato de que todos os seus antecessores no cargo, desde o triunfo da Revolução em 1979, desfrutaram dos mandatos consecutivos outorgados pela Constituição.

Em um país com 46 milhões de eleitores, socialmente polarizado e com uma população muito jovem - calcula-se que mais de 40% dos iranianos não tinham nascido quando a revolução venceu - a maior percentagem de votos responde ao chamado "voto de silêncio".

"Quão alto for o índice de participação será o que vai determinar o resultado", advertiu aos jornalistas o ex-presidente Khatami, que venceu em 1997 graças a uma corrida em massa de jovens e mulheres às urnas.

Na mesma linha se expressou seu colega Rafsanjani, para quem uma grande participação também constituiria uma mensagem de solidez à comunidade internacional.

A crise econômica e a gestão do presidente, qualificada de nefasta por seus oponentes, foi o trunfo escolhido pelos candidatos para desgastá-lo.

Tanto Karroubi como Mousavi acusam Ahmadinejad de não ter sabido administrar a riqueza gerada pela alta dos preços do petróleo, ter arruinado o país e obscurecido sua imagem exterior.

Além disso, ambos puseram em campanha suas respectivas mulheres para atrair o importante voto feminino.

Como novidade, a campanha incluirá, pela primeira vez em anos, seis debates televisados entre os candidatos, começando com Karroubi e Rezaei no dia 3 de junho.

Um dia depois, será o momento de ver tête-à-tête o que parece ser os dois principais aspirantes: o conservador Ahmadinejad e o independente pró-reformista Mousavi.

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