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27/05/2009 - 14h18

ONU prevê que economia mundial cairá 2,6% em 2009, com melhora em 2010

Nações Unidas, 27 mai (EFE).- A economia mundial cairá 2,6% em 2009, segundo um relatório sobre perspectivas econômicas publicado hoje pelas Nações Unidas, que também previu que haverá uma "suave" recuperação em 2010, em meio a riscos e desigualdades para os países em desenvolvimento.

Em relação a metas sociais - que serão afetadas pelo desemprego e perda de renda -, o Brasil está em um bom caminho em relação a objetivos em educação, saúde e serviços básicos, mas terá que gastar pelo menos 0,5% a mais de seu Produto Interno Bruto (PIB) para alcançá-los, segundo a ONU.

No relatório Situação da Economia Mundial e Perspectivas - 2009, os especialistas da ONU destacaram hoje que, diante da "pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial", revisaram para baixo a evolução da economia mundial, que em 2008 registrou uma expansão de 2,1% e teve ritmo de crescimento de 4% entre 2004-2007.

Além disso, advertiram em seu documento que, "para 2010, espera-se uma suave recuperação com grandes riscos", e que "os países em desenvolvimento estão sendo afetados de maneira desigual pela crise econômica".

Outro aspecto que preocupa os economistas da ONU é que "esta frágil situação pode se agravar se o vírus da gripe A (H1N1) surgido no México se transformar em pandemia, com consequências significativas para a vida humana e a atividade econômica".

No caso da América Latina e do Caribe, o retrocesso no crescimento econômico este ano será de -1,9%, mas os economistas da ONU precisaram que, enquanto no caso da América do Sul será de -0,9%, e no do México e América Central chegará a -4,3%, na bacia do Caribe haverá uma melhora de 0,7%.

No entanto, os especialistas preveem dois cenários para a decolagem da recuperação, um pessimista, no qual a região latino-americana retrocederia 0,7% ainda em 2010, e um otimista, no qual cresceria 3,2%.

De maneira global, no melhor dos casos, a economia mundial crescerá 2,3% em 2010 e, no pior, 0,2%.

No entanto, advertiram que, para conseguir o cenário positivo, é preciso que "a maior parte dos problemas que ainda existem nos mercados financeiros seja resolvido na primeira metade de 2009 e que a efetividade das medidas de estímulo fiscal seja vista no restante de ano. Na data de maio de 2009, essas condições estão longe".

Os economistas da ONU reconheceram que, embora a resposta política global para a crise não tenha precedentes, incluindo toda a bateria de medidas monetárias, financeiras e fiscais adotadas para estabilizar os mercados e revitalizar o crescimento, "são necessários ainda mais esforços".

Entre eles, recomendaram "melhorar a coordenação política e mais transferências financeiras para os países em desenvolvimento", de modo que, quando começar a reativação nessas nações, elas possam adotar ações contracíclicas, proteger sua população vulnerável e ajustar suas respostas a objetivos de desenvolvimento sustentável a longo prazo.

O relatório das Nações Unidas também abordou a incidência da recessão sobre o emprego, em aumento desde 2008 e que "deve piorar ao longo de 2009-2010".

"As projeções iniciais indicam que o desemprego aumentará em 50 milhões de pessoas nos próximos dois anos, mas, se a situação piorar, esse número pode duplicar facilmente", acrescentaram os especialistas.

Além disso, lembraram que as experiências de crises anteriores indicam que voltar às taxas de desemprego de antes dessas situações negativas "levam de quatro a cinco anos".

Assim, referiram-se também a que a perda de emprego e de renda incidirá no combate à pobreza e em um aumento dos pobres de entre 105 milhões e 145 milhões de pessoas, especialmente no leste e no sul da Ásia.

Sobre a América Latina, a recessão econômica pode aumentar em cerca de 4 milhões o número de pobres da região, e os economistas preveem que, na América do Sul, esse aumento da pobreza afetará entre 3 milhões e 3,2 milhões de pessoas. No México e no Caribe, acarretará entre 600 mil e 800 mil pessoas a mais.

O documento, elaborado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (Desa) da ONU, analisou também o impacto que a recessão terá nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que devem ser cumpridos até 2015.

No caso latino-americano, o relatório afirmou que a recessão afastará os países com receitas mais baixas da região, como Bolívia, Honduras e Nicarágua, dos Objetivos do Milênio quanto a acesso escolar, mortalidade materna e infantil, acesso à água potável e saúde.

Os Governos desses países, acrescentaram os especialistas, terão que gastar anualmente entre "1,5% e 2% a mais de seu Produto Interno Bruto em educação, saúde e serviços básicos entre 2010 e 2015 para conseguir seus objetivos".

Assim como o Brasil, os economistas da ONU consideram que Chile e Costa Rica estão bem encaminhados nesses objetivos, mas terão que gastar anualmente entre 0,5% e 1,5% a mais de seu PIB para alcançar essas metas de redução da pobreza.

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