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16/07/2009 - 19h39

Seguidores de Zelaya sobem pressão e Micheletti abre caminho para renúncia

Tegucigalpa, 16 jul (EFE).- Simpatizantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, fecharam hoje várias estradas e anunciaram uma greve geral na semana que vem, enquanto o atual governante, Roberto Micheletti, abriu as portas para sua possível renúncia.

A Frente Nacional de Resistência, que engloba organizações populares, bloqueou o trânsito temporariamente nas estradas que ligam Tegucigalpa ao norte e ao sul do país, além de vários países do Caribe, a norte e a oeste do território hondurenho.

Os protestos foram realizados pacificamente, segundo seus dirigentes e porta-vozes da Polícia, que tinham advertido sobre a possibilidade de distúrbios.

A ministra de Finanças de Honduras, Gabriela Núñez, assegurou que as alfândegas com os países vizinhos, Guatemala, El Salvador e Nicarágua, "estão operando normalmente", apesar das ameaças de fechamento pelos setores que apoiam Zelaya.

O dirigente camponês Rafael Alegría, um dos líderes do movimento, disse à agência Efe que "se não houver uma regra no domingo, haverá uma greve geral no país na segunda-feira" para exigir a restituição de Zelaya, deposto pelos militares no dia 28 de junho.

O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, se reunirá no próximo sábado, em San José, para continuar sua mediação com as delegações de Zelaya e Micheletti, ambos do governante Partido Liberal, para buscar uma solução para a crise em Honduras.

Arias anunciou hoje que uma de suas propostas na mesa de diálogo será a integração de um Governo de reconciliação liderado por Zelaya e considerou desnecessário antecipar as eleições de novembro, convocadas um mês antes do golpe de Estado.

Zelaya deu um ultimato, até o sábado, para que o Governo de Micheletti o restitua no poder e chamou os hondurenhos "à insurreição".

As manifestações foram precedidas hoje pela volta do toque de recolher, entre a 0h e 5h locais, que o Governo de Micheletti reimplantou diante das ameaças de "grupos que querem provocar distúrbios e desordem em alguns lugares" e para manter a segurança da população, segundo um porta-voz presidencial.

Micheletti tinha suspendido o toque de recolher no sábado, que esteve vigente desde o dia 28 de junho, quando o Parlamento o designou presidente do país após a destituição de Zelaya, que foi detido pelos militares detiveram e levado à Costa Rica.

Os seguidores de Zelaya estão tão seguros de seu retorno ao país em breve que já planejaram uma "grande concentração nacional" para recebê-lo, disse Sergio Rivera, do Bloco Popular, integrante da Frente de Resistência, à Efe.

O deputado do esquerdista partido Unificação Democrática (UD) César Ham, que voltou hoje, após sair de Honduras depois do golpe de Estado, disse à Efe que o retorno de Zelaya é iminente.

Segundo Ham, Zelaya enviou uma mensagem a seus seguidores de que "a partir da meia noite de sábado ele pode entrar por ar, por mar ou por terra em qualquer momento e que isso é um fato e que vai retornar apoiado pelo poder do povo".

Para analistas e dirigentes políticos, a possível renúncia de Micheletti, condicionada ao não retorno de Zelaya, é um caminho para sair da crise, embora difícil, porque depende que o governante deposto ceda.

"A bola está com o ex-presidente Zelaya", disse à Efe o analista político Raúl Pineda, para quem a proposta de Micheletti "pode ser uma solução".

O candidato presidencial do opositor Partido Nacional, Porfirio Lobo, qualificou como "elogiável" a atitude de Micheletti.

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