UOL Notícias Notícias
 

08/08/2009 - 15h39

Um ano depois da abertura dos Jogos, China segue sem cumprir promessas

Pequim, 8 ago (EFE).- A exatamente um ano da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, as promessas do Governo chinês de melhorar as condições ambientais e dos direitos humanos no país seguem sem ser cumpridas.

"Os Jogos foram um ponto de inflexão na história da China. Apenas este evento poderia demonstrar o quanto o país evoluiu em 20 ou 30 anos. Pequim nunca será a mesma", disse o prefeito da capital chinesa, Liu Qi, em discurso neste sábado.

Sobre a competição, ele destacou "a combinação única de esporte, cultura e a melhora de infraestruturas e do meio ambiente".

"Temos de reconhecer os esforços do Governo para a introdução de energias limpas, como o gás natural, mas ainda há muitas áreas que precisam de mais trabalho", disse à Agência Efe o ambientalista Ma Jun.

Ao ganhar o direito de sediar os Jogos Olímpicos, ainda em 2001, a China se comprometeu a melhorar as condições ambientais e de direitos humanos.

O próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) pensou que o país mudaria com os Jogos, mas analistas afirmam que a intenção da China era apenas mudar sua imagem no mundo.

Os chineses ainda reagem com rejeição às críticas estrangeiras contra a repressão das revoltas no Tibete, a detenção de ativistas, o conflito étnico de julho em Xinjiang, e ainda mais à comparação de seus Jogos Olímpicos com os da Alemanha nazista em Berlim, no ano de 1936.

"Nas últimas semanas, tivemos muitas provas de que os Jogos Olímpicos fracassaram em apresentar à China como um Estado que respeita os padrões internacionais básicos em matéria de direitos humanos", comentou à Agência Efe Phelim Kine, pesquisador para a Ásia da ONG Human Rights Watch (HRW).

Outras reclamações são destinadas aos gastos na construção de locais de disputa, como o Ninho de Pássaro - que recebeu hoje a Supercopa da Itália, vencida pela Lazio em cima da Inter - e o Cubo Aquático. Só com os Jogos foram gastos US$ 40 bilhões, sendo US$ 4 bilhões apenas com as estruturas.

Mas também há os que aprovaram a realização do evento. "Os Jogos mostraram a capacidade da China de acolher um evento global dessa dimensão. Para muitos chineses isso confirmou o status de seu país como uma grande potência", apontou Simon Shen, professor de uma universidade em Hong Kong.

"O fato de a China realizar os Jogos depois do terremoto de Sichuan acrescenta uma nova dimensão ao movimento nacionalista. A política centralista do Governo e o nacionalismo chinês se uniram", completou.

As obras melhoraram ainda o sistema de transporte local, com a construção de três novas linhas de metrô (atualmente são cinco), o maior aeroporto do mundo, estradas e estações de trem.

Aliadas ao fechamento de usinas poluentes, elas serviram para melhorar a qualidade de vida em Pequim. Mas este milagre arquitetônico representou o desaparecimento da maior parte da cidade imperial - prática secular feita sempre que um novo imperador queria deixar sua marca pela cidade.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host