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18/08/2009 - 21h05

México e Argentina se recusam a reconhecer Governo de Honduras

Juan David Leal.

México, 18 ago (EFE).- Os Governos do México e da Argentina expressaram hoje sua "enérgica condenação" ao golpe de Estado em Honduras e coincidiram em que é "inadmissível" reconhecer ao novo Executivo hondurenho o resultado de uma eventual eleição que não seja conduzida pela Administração de Manuel Zelaya.

Ao fim de uma visita de dois dias à capital mexicana, o chanceler argentino, Jorge Taiana, disse em entrevista com a secretária de Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, que o consenso na América Latina é que "não haverá reconhecimento a Governo algum surgido de um processo eleitoral conduzido por um Governo de fato".

O ministro disse que desde que houve o golpe de Estado na nação centro-americana, em 28 de junho, esteve em permanente contato com as autoridades mexicanas para coordenar esforços em busca de uma solução à crise política que atinge Honduras.

Os dois chanceleres são integrantes de uma missão de ministros de Exteriores que viajará para Honduras para buscar uma saída ao conflito, da qual participam também seus colegas de Canadá, Costa Rica, Jamaica e República Dominicana, e a Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Confiamos em que a missão seja bem-sucedida e possamos voltar à normalidade institucional; se isso não acontecer, sem dúvida se continuará na busca da conquista desse objetivo", afirmou Taiana.

O Governo de fato de Roberto Micheletti anunciou hoje que as relações diplomáticas com a Argentina serão canalizadas através da embaixada desse país em Israel.

Ele afirmou que o pessoal diplomático e administrativo da representação argentina em Tegucigalpa "receberá por causa do fim de suas funções o mesmo tratamento, termo e facilidades ao concedido aos empregados e funcionários hondurenhos alocados à embaixada de Honduras em Buenos Aires".

A medida de Micheletti é em represália à decisão de Buenos Aires de canalizar suas relações diplomáticas com Honduras através da embaixada hondurenha nos Estados Unidos.

Taiana disse que o pessoal da embaixada da Argentina em Honduras não tem prazo para deixar o país.

O ministro argentino insistiu que Buenos Aires mantém "relações diplomáticas com o Governo legítimo de Honduras (do presidente deposto Manuel Zelaya)", pelo que só responde às decisões desse Executivo.

"Quanto ao pessoal diplomático argentino que se encontra em Honduras está em Tegucigalpa e não tem nenhuma data para nada", ressaltou.

Espinosa manifestou que a data em que a missão de chanceleres viajará para Honduras será divulgada na próxima semana, depois de ter sido adiada, porque o Governo de Micheletti se opunha à presença na delegação do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.

"Uma das mensagens principais que vamos levar através da missão é a importância de que esta crise em Honduras se resolva por meios pacíficos, que se evite a violência a todo custo", revelou a ministra.

A secretária de Relações Exteriores mexicana disse que México e Argentina reiteram "a enérgica condenação" ao golpe de Estado contra "o Governo constitucional" de Honduras.

Ela disse que os dois países dão seu "apoio incondicional" a Zelaya, e que os países coincidem em que "é inadmissível reconhecer autoridades surgidas de uma violação à ordem constitucional interna, assim como qualquer resultado de eleições que não sejam realizadas sob a condução do Governo legítimo de Honduras".

Taiana liderou uma missão ao México na qual esteve acompanhado de 56 empresários e um grupo de legisladores argentinos.

Em matéria comercial, a Argentina mostrou interesse em ampliar as exportações agrícolas em direção ao México, embora os dois países não tenham chegado a um acordo nesse ponto.

Espinosa e Taiana disseram também que no marco da crise econômica mundial os países emergentes não podem esperar que as nações desenvolvidas se recuperem, mas devem fortalecer seus laços comerciais.

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