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26/09/2009 - 09h45

Crise reascende ceticismo eleitoral entre portugueses

Antonio Torres da Colina.

Lisboa, 26 set (EFE).- A crise econômica em Portugal, a pior em três décadas, reavivou o ceticismo eleitoral entre os dez milhões de portugueses, que reprovam a classe política por não levar o país ao nível de desenvolvimento de outras nações europeias.

Basicamente, os eleitores terão que optar no pleito de amanhã entre dois modelos para sair da recessão: o dos investimentos públicos do Partido Socialista (PS), do atual primeiro-ministro José Sócrates, ou o da austeridade econômica do Partido Social-Democrata (PSD), da conservadora Manuela Ferreira Leite.

No entanto, nenhuma das duas propostas parece entusiasmar o povo, que segundo as pesquisas apoia em pouco mais de 30% cada um dos candidatos e se mostra muito preocupado com a situação econômica.

A taxa de desemprego cresceu em Portugal para 9,1%; as empresas não param de desaparecer - entre agosto de 2008 e o mesmo mês de 2009 fecharam 46 por dia -, e os baixos salários - o mínimo em Portugal não ultrapassa 500 euros - são frequentes em amplos setores.

Nas ruas não é difícil ouvir queixas pela situação do país e o fato de que, apesar de pertencer à União Europeia (UE) há duas décadas, Portugal ainda segue longe dos níveis de desenvolvimento de seus parceiros mais ricos.

Em um país que ainda tem no exterior cerca de dois milhões de emigrantes, equivalentes a um quinto da população, muitos reprovam seus governantes pela incapacidade de colocar o país na classe média europeia, como outras nações que entraram na UE em condições similares.

Entre os problemas econômicos do país estão os níveis de escolaridade - apenas 53,4% da população de entre 20 e 24 anos tem estudos secundários completos -, e a limitada cobertura de saúde pública - 3,7 médicos para cada mil habitantes.

Portugal aproveitou durante duas décadas os Fundos de Coesão da União Europeia, sobretudo para melhorar a infraestrutura do país, embora tanto entre os empresários como entre os sindicatos se lamente que não se tenha aproveitado mais para melhorar a competitividade da indústria ou a força de trabalho.

Esses subsídios, além disso, se veem agora minguados pela forte concorrência dos novos membros comunitários, provenientes, sobretudo, do leste da Europa.

As eleições legislativas de 2005, que deram a maioria absoluta ao PS de José Sócrates, terminaram com quase 35% de abstenção, que foi ainda muito maior nas eleições europeias de junho passado, quando rondou 63%.

Apesar da tendência ao ceticismo eleitoral, no último ano houve várias grandes manifestações em Portugal, protagonizadas especialmente pelos muitos funcionários públicos do país.

Professores, policiais e outros grupos contestaram nas ruas as políticas de redução de custos aplicadas por Sócrates, enquanto os partidos à esquerda do PS protestaram também para pedir mais atenção ao emprego e criticar as políticas "neoliberais" do Governo.

A perda de postos de trabalho em virtude da crise econômica internacional já levou em Portugal mais de 500 mil pessoas a centros de emprego e constitui, segundo as pesquisas, uma das principais preocupações dos eleitores.

A crise financeira mundial acentuou a tendência à reformulação em empresas estrangeiras e fez com que multinacionais como a alemã Volkswagen, cuja fábrica em Portugal dá trabalho direto e indireto a mais de nove mil pessoas, e a fabricante de chips Qimonda, a maior exportadora lusa, interrompessem suas atividades temporariamente.

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