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23/11/2009 - 06h51

Jovens recorrem ao jornalismo para tentar sair da pobreza no Camboja

Laura Villadiego.

Sihanoukville (Camboja), 23 nov (EFE).- No Camboja, onde a liberdade de imprensa se vê constantemente ameaçada, jovens com poucos recursos tentam sair da pobreza através do jornalismo, um ofício que aprendem em uma escola criada pelo colombiano Albeiro Rodas.

"Aqui eles têm aulas por dois anos para que aprendam os conceitos básicos da comunicação e a utilizar os recursos técnicos. O objetivo é que depois possam arrumar um trabalho", destaca Rodas, responsável pelo centro situado em Sihanoukville, no sul do país.

"Não era um projeto fácil. A maioria dos jovens cambojanos quer estudar administração ou informática. Poucos pensam no jornalismo", afirma Rodas, natural de Medellín, que chegou ao Camboja em 1999 através do programa de missionários salesianos, ao qual ainda pertence.

O projeto teve início em 2007, como parte da formação dada pela escola Don Bosco de Sihanoukville.

"Nunca tinham pensado nisso antes. Mas agora gostaria de dedicar-me à rádio ou a veículos online", afirmou o aluno do curso Vibot, de 18 anos, cuja família vive com o pouco que sua mãe ganha vendendo pinturas aos turistas.

"Temos uma boa oportunidade. Não acho que teria estudado jornalismo de outra forma", disse Socheth, filho de camponeses, que pôde participar das aulas porque a escola oferece a ele vaga em um alojamento que a sua família não poderia pagar.

"Pagamos também as refeições a nossos alunos, para que os pais não impeçam seus filhos de virem aqui", afirma Rodas.

Os alunos, de 18 a 24 anos, aprendem a utilizar os computadores e as redes sociais e a editar vídeos e áudios.

Apesar de quase da metade das escolas do país ainda não contar com eletricidade, os aprendizes de jornalismo estudam em um centro com dois estúdios de rádio, uma sala de televisão e outra com vários computadores com acesso à internet.

Quase todos os alunos que concluíram o curso estão empregados. Alguns trabalham em jornais, outros como câmeras de televisão, mas a maioria trabalha em escritórios de comunicação de ONGs que atuam no país.

A escola não só se propõe a ajudar esses jovens a conseguir emprego, mas também a formar repórteres que informem sobre a realidade social do país e que contribuam para melhorar o nível de liberdade de imprensa.

"Aqui há muitas situações trágicas como minas antipessoais, prostituição infantil e pobreza. A comunicação precisa ajudar a melhorar essa realidade e, para isso, são necessários repórteres para denunciá-las", afirma Rodas.

Depois de formados, estes alunos deverão enfrentar as restrições que a imprensa sofre no país, onde 24 jornalistas foram detidos entre março de 2009 e março de 2010, segundo o clube de jornalistas do Camboja.

A maioria foi vítima de processos apresentados por diversos membros do Governo, da Polícia e do Exército, assinalados como corruptos em artigos da imprensa.

"Sabemos que não temos uma liberdade total de expressão. Mas queremos uma democracia de verdade. Queremos trabalhar para encontrar a verdade", afirmou Reyr, um dos alunos do curso.

Segundo a ONG Repórteres sem Fronteiras, a liberdade de imprensa se viu seriamente ameaçada durante o último ano no Camboja, que está em 128º lugar em uma lista da organização de 178 países no quesito liberdade de expressão.

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