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30/11/2009 - 10h09

Índia recorre ao bisturi como aliado da beleza

Marta Berard.

Nova Délhi, 30 nov (EFE).- Conseguir um nariz perfeito ou eliminar o excesso de gordura acumulada com o bisturi é cada vez mais frequente na Índia, onde o desenvolvimento da medicina, o aumento do poder aquisitivo e um crescente culto à imagem favorecem o aumento das cirurgias plásticas.

"Não há um registro de intervenções cirúrgicas na Índia. Mas calculamos que a cirurgia plástica cresceu entre 25% e 35% anual nos últimos oito anos", disse à Agência Efe o presidente da Confederação Internacional de Cirurgia Plástica, Reconstrutora e Estética (Ipras, em inglês), Rajeev B. Ahuja.

Segundo o especialista, passar pela sala de cirurgia para melhorar a imagem está ganhando popularidade, graças ao gradativo aumento do poder aquisitivo e, especialmente, ao desenvolvimento das práticas médicas que permitem ao paciente realizar a cirurgia sem ter que ir ao exterior.

"Se tivessem que ir à Suíça, mas tudo está disponível aqui. Há bons cirurgiões, boas práticas médicas, a cirurgia na Índia é boa", disse.

Para Ahuja, a melhor prova das garantias de se operar na Índia é que há um incipiente turismo de saúde com pacientes procedentes da Europa, países do Golfo Pérsico e EUA que se submetem a enxertos de cabelo, rinoplastias ou lipoaspirações, com a esperança de retornar a seus países com uma imagem invejável.

Apesar da brecha cultural entre Oriente e Ocidente, os padrões de beleza tendem à convergência no mundo todo.

A cirurgia mais procurada na Índia é a rinoplastia, seguida da lipoaspiração e, em terceiro lugar, as operações de aumento de peito, padrão semelhante ao de muitos países ocidentais: o objetivo é "parecer mais jovem", segundo o especialista.

Também não há muitas surpresas na distribuição por sexos, a grande maioria das pacientes, aproximadamente 65% são mulheres.

"Tenho certeza de que é assim no mundo todo e a Índia não é uma exceção. Há pressão social para que as mulheres tenham bom aspecto. Foi criado um padrão de beleza no qual é preciso ter determinadas medidas de peito, de abdômen, de cintura", disse à Agência Efe a diretora da ONG de defesa dos direitos da mulher Centro para Pesquisa Social (CSR, em inglês), Ranjana Kumari.

Na opinião dela, a Índia tinha um padrão de beleza genuíno marcado pela sensualidade e pelo erotismo visível nos altos relevos dos célebres templos dedicados ao Kama Sutra, na cidade de Khajuraho, que foi ofuscado pelas tendências importadas de outros países.

"É um excesso. Cada mulher, cada ser humano é diferente e especial, não sei por que todas as meninas têm que ser iguais. Na natureza, há diversidade", concluiu a ativista, que considera que os meios de comunicação contribuem negativamente para a difusão de um único padrão de beleza.

O responsável da Ipras reconhece que 15% dos pacientes que vão às consultas querem se parecer com algum dos ídolos que veem na televisão, e disse que, neste caso, é imprescindível uma boa assessoria para explicar que isso não é possível.

"Os cirurgiões plásticos têm que ser também psicólogos, se não se fizer esse trabalho, corre-se o risco de fracassar. O paciente terá expectativas que não serão cumpridas", disse.

O pessoal da área enfrenta o desafio de discernir entre aquelas pessoas que querem melhorar a aparência das que têm algum transtorno psicopatológico.

"Entre 7% e 10% dos pacientes que vão às consultas apresentam transtorno dismórfico corporal. São pessoas que se sentem insatisfeitas com seu corpo por diferentes motivos, que acarretam outro tipo de problemas pessoais e para os quais não se recomenda a cirurgia, mas uma consulta com o psicólogo", disse.

O transtorno, que é identificado pela obsessão de alguém por alguma parte de seu corpo independente se exista um defeito que justifique, será um dos temas que serão abordados no 15º congresso internacional de cirurgia plástica da Ipras, que este ano acontece até 3 de dezembro, em Nova Délhi.

Nessa reunião, especialistas de todo o mundo tentarão descobrir por que às vezes a natural inclinação pela beleza leva a uma batalha por uma meta inalcançável: a perfeição física.

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