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17/12/2009 - 11h58

Rússia e EUA adiam para 2010 assinatura de novo acordo nurclear

Moscou, 17 dez (EFE).- O Kremlin anunciou hoje que a Rússia e os Estados Unidos adiaram para o ano que vem a assinatura do novo acordo de desarmamento nuclear entre os dois países, o qual substituirá o tratado que venceu em 5 de dezembro.

"A assinatura não acontecerá em dezembro. Isto não significa que tenham surgido obstáculos insuperáveis, pois as negociações avançam e todos desejam levá-las até o fim", disse um alto funcionário do Kremlin à edição desta quinta-feira do jornal "Kommersant".

Segundo a fonte, que não se arriscou a apontar uma data para a assinatura do documento, o novo acordo "está quase todo acertado" e precisaria apenas de "um pequeno ajuste final".

Nos últimos dias, a Casa Branca e o Kremlin já tinham descartado a possibilidade de os presidentes americano, Barack Obama, e russo, Dmitri Medvedev, assinarem o novo tratado nesta sexta-feira, em Copenhague, onde estarão para o encerramento da cúpula da ONU sobre a mudança climática (COP15).

"Dificilmente a assinatura será em Copenhague, já que ainda há bastante trabalho técnico para preparar o documento", disse hoje o ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov.

O ministro ressaltou que "juristas e redatores ainda têm contribuições a fazer (ao texto)", mas assegurou que "as negociações avançam".

Outra fonte a par do processo confirmou à agência "Interfax" que o tratado não será assinado este ano. Segundo informações, "há muitos detalhes a serem acertados", o que torna "materialmente impossível terminar este trabalho antes de fim de ano".

"Mas esta demora não deve ser dramatizada, pois Moscou e Washington desejam, em igual medida, conseguir um acordo mutuamente aceitável", acrescentou a fonte, que acha possível que o documento seja assinado em janeiro.

Também hoje, Lavrov afirmou que o objetivo dos negociadores nesta etapa final de negociações é "garantir a redução mais ampla possível das armas estratégicas ofensivas e um mecanismo de controle adequado para o novo tratado".

"É hora de deixar para trás a desconfiança desnecessária, sobretudo quando os presidentes declararam que buscam uma nova qualidade nas relações, para que estas sejam de confiança, respeitosas e equitativas", destacou.

De acordo com a imprensa, as partes divergem em relação ao desejo do Kremlin de acabar com as inspeções americanas nas empresas onde são fabricados os mísseis intercontinentais Bulava e Topol.

"A causa do adiamento da assinatura é muito simples: o documento não está pronto. É preciso aparar algumas arestas antes de apresentar o texto aos presidentes", disse um negociador russo ao "Kommersant".

Outra divergência apontada tem relação com o número de mísseis capazes de transportar ogivas nucleares. Em julho, Obama e Medvedev decidiram desmantelar entre 1.000 e 500 destes projéteis.

No entanto, segundo o negociador, no começo dos contatos os EUA propuseram uma redução ainda mais radical, de 1.100 portadores, enquanto a Rússia sugeriu inutilizar 500 e segue rejeitando o número de 800 apresentado recentemente pela delegação americana.

Outros problemas são a falta de clareza sobre como contabilizar os bombardeiros pesados e sobre como cumprir o desejo de Moscou de linkar no texto os armamentos estratégicos ofensivos com os defensivos, ou seja, com as defesas antimísseis.

O negociador também descartou a hipótese de as partes resolveram estas diferenças em janeiro e ressaltou que é preciso "trabalhar sem pressa".

Ao mesmo tempo, declarou que, para evitar críticas, Obama e Medvedev devem assinar o novo Start antes de maio de 2010, quando acontecerá uma conferência da ONU sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Conforme combinado por Obama e Medvedev em julho deste ano, o novo tratado deverá ter uma vigência de dez anos e reduzir o número de ogivas nucleares de cada país a entre 1.500 e 1.675 nos primeiros sete anos.

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